São Paulo - Um atleta de alto rendimento precisa se dedicar e abrir mão dos prazeres da vida quase sempre. É com essa desculpa que César Castro, terceiro lugar no ranking mundial no trampolim de 3 metros, encarou o carnaval.
Apreciador de um bom samba, o brasiliense, de 27 anos, treina no Rio, mas passou longe da Sapucaí. A concentração teve muito a ver com seu objetivo no esporte.
Neste ano, ele vai saltar no Fina World Series, torneio com os oito melhores do mundo na categoria. César não quer fazer feio após o quinto lugar no Mundial de Roma, ano passado.
''Aqui não tem esse negócio de carnaval, não. O treino tem de ser direto'', garante o saltador, que dominou as seletivas para o Sul-Americano da Colômbia, no início do mês, mas abriu mão da disputa. O desafio será outro.
''O Sul-Americano bateu (coincidiu) com a primeira etapa da World Series'', explicou. E a primeira das três etapas será nos dias 27 e 28 de março, em Qingdao, na China. Em abril, México e Inglaterra receberão as etapas finais.
Não dava para conciliar.
César conta com o retrospecto de evolução para se dar bem. Desde 2000, quando começou a ''saltar pra valer'', ele faz história na modalidade. Em 2002, foi revelação do Fina Grand Prix dos Estados Unidos. Foi terceiro no trampolim de 3 metros e desbancou o russo campeão mundial Dmitri Sautin e o mexicano vice-campeão Fernando Platas.
Foi apenas o início da história de bons resultados. Em Atenas-2004, César Castro foi às finais e repetiu Milton Busin, sexto colocado nos Jogos de Helsinque-1952. ''Depois que termina tudo e alguém te fala (sobre marcas e tabus) é que você começa a ter noção do que fez.'' Ele foi nono na Grécia. ''Na hora, a gente só pensa em fazer o salto.''
A medalha que César Castro guarda com carinho é a prata do Pan-Americano do Rio-2007. No mesmo ano, foi sétimo no Mundial da Austrália e garantiu lugar na Olimpíada de Pequim - ficou fora da final (24.º lugar).
''Não treinei bem em 2008 porque tive alguns problemas fora do esporte, na vida pessoal. E não deu muito certo na Olimpíada'', explica o saltador, que não demorou para se recuperar.
Mudança fundamental
No início de 2009, César trocou Brasília pelo Rio para treinar no Parque Aquático Julio Delamare com o técnico Roberto Gonçalves. Para ele, ''com a cabeça no lugar'', a mudança foi fundamental para levar o quinto lugar no Mundial de Roma.
A briga por uma vaga nos Jogos de Londres-2012 só começa ano que vem. Ele precisará ficar entre os 12 melhores no Mundial da China para garantir vaga. Se falhar, terá chance em fevereiro de 2012, em Londres. ''Em 2011 tem o Pan (de Guadalajara). Quero uma medalha, mas sei que os melhores do mundo estão aqui na América. O nível técnico é muito próximo. Ganha (quem fizer) o melhor planejamento.''
O resultado no México lhe dá uma visão de suas chances no próximo ciclo olímpico. ''Estou brigando treino a treino para melhorar. É trabalho intenso. Mas acredito no meu potencial. Quero muito mais.''

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