FUTEBOL NO ORIENTE Cerezo ensina ‘beabᒠda bola a japoneses Arquivo FolhaDO OUTRO LADO DO MUNDOO ex-meia Toninho Cerezo tenta passar aos jogadores do Kashima Antlers um pouco da experiência adquirida em seus 23 anos como profissional AE-International Press De São Paulo Este bom mineiro não trabalha em silêncio. Ele grita e gesticula nos treinos, enquanto o intérprete traduz aos jogadores do Kashima Antlers os ensinamentos de quem envergou a camisa verde-amarela em 74 jogos e foi bicampeão mundial interclubes. Toninho Cerezo já havia renovado contrato com o Vitória da Bahia, mas em janeiro um convite do velho amigo Zico, com quem disputou as copas da Argentina 78 e Espanha 82, trouxe o ex-jogador para assumir durante um ano o comando do Kashima Antlers, bicampeão da J.League 96 e 98. ‘‘Estava um tremendo verão, mas tive de deixar meu ‘barco’ lá e vim, não só pelo aspecto financeiro mas também pelo futebol que é o meu mundo. Espero fazer um bom currículo e corresponder às expectativas da equipe’’, diz o novo técnico. O que trouxe Cerezo de volta ao Japão – país onde conquistou o bicampeonato mundial interclubes/Copa Toyota 92-93 com o São Paulo e foi eleito o melhor jogador em campo – foi também sua boa campanha no Campeonato Brasileiro do ano passado, quando levou às semifinais o modesto Vitória da Bahia. Aos 44 anos, Antonio Carlos Cerezo não é daqueles técnicos que ficam à beira do gramado passando instruções teóricas. Como ex-volante que pendurou as chuteiras em julho de 1997, Cerezo ainda tem disposição para entrar em campo e se fazer de zagueiro. ‘‘Cadê meu artilheiro?’’, grita o técnico. ‘‘Cadê o Yana?’’ Ele se refere ao Yanagisawa, promissor atacante do Antlers e da seleção olímpica do Japão. Cerezo fica na marca do pênalti feito um zagueiro e pede um cruzamento de bola, enquanto simula agarrar a camisa de Yanagisawa, dificultando seu avanço. Yanagisawa tenta se livrar de Cerezo e chegar a tempo até a bola, que vem à meia altura. Mas o atacante japonês chuta de voleio e a bola passa muitos metros acima do travessão. Cerezo interrompe e mostra que naquela situação de jogo, o mais prático seria cabecear a bola. Yanagisawa sabe que tem muito o que aprender naquela relação de ‘‘mestre para discípulo’’ e tenta nova investida até acertar. ‘‘Às vezes o atacante passa os 90 minutos sem receber uma bola. Por isso, quando o jogador estiver na frente do gol, é a sua vida que está em jogo, pois pode ser o gol da vitória’’, explica o técnico. Cerezo diz guardar muitas boas recordações do futebol durante seus 23 anos como profissional, dos quais quase 15 no Atlético Mineiro, 10 anos na Itália (Roma e Sampdoria), dois no São Paulo, depois Cruzeiro, Paulista de Jundiaí e América.

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