Centenário do Sul - Ontem foi dia de festa em Centenário do Sul (95 km ao norte de Londrina). Não era Dia da Padroeira e nem o aniversário do município. A cidade estava frenética e com as ruas movimentadas por outro o motivo: o aniversário de 30 anos de participação do Centenário Esporte Clube, o ''Galo Bravo'', no Campeonato Paranaense Primeira Divisão. É verdade. A pequena cidade de 11 mil habitantes já teve time profissional entre os anos de 1976 e 1978 e que disputou a Divisão Especial do Paranaense em 77.
Mais curioso ainda foi saber que o time revelou dois atletas que mais tarde defenderam times de ponta: um foi para o futebol do exterior e o outro campeão mundial com o Flamengo em 1981. O primeiro é o ex-centroavante Vilela, que nos últimos anos trabalhou na Portuguesa Londrinense e hoje comanda um projeto social em Londrina. Depois de passar pelo Centenário, ele foi parar na Universidad Católica do Chile no final dos anos 70. O outro, mais conhecido de todos, é o zagueiro Marinho, do Londrina, que foi emprestado ao Centenário com 19 anos e, de volta ao LEC, foi vendido aos 20 para o Flamengo, com o qual foi tricampeão brasileiro (80, 81 e 83) e campeão do mundo em Tóquio, em 81.
Além deles, o Galo Bravo de 76 e 77 era um time forte que foi montado com a contratação de outros jogadores com passagens por clubes como Grêmio Maringá, Paranavaí, Corinthians de Presidente Prudente, Marília e Apucarana. ''Muitos eram já experientes, mas vieram porque aqui se pagava bem e a equipe era boa'', lembra o técnico Luiz Carlos Djalma, que subiu com o Centenário em 76 (foi campeão da Segunda Divisão em cima do Apucarana) e comandou a equipe também em 77.
Alçapão
Ontem estavam todos eles (18 ex-atletas) reunidos para uma partida festiva no mesmo campo que foi palco de jogos memoráveis no passado: o Estádio Sérgio Vitor Meca. ''Lembro que aqui ganhamos de 1 a 0 do Londrina em 77 e que depois do jogo teve briga na arquibancada. E olha que o Londrina era aquele timão que tinha o Zé Roberto, o Brandão, o Arenghi, que fez aquela baita campanha no Brasileiro (foi 4º colocado)'', recorda o zagueiro Espanhol. ''Ganhamos também do Grêmio Maringá, que viria a ser o campeão paranaense daquele ano'', reforçou Espanhol.
Quem lembra bem daquele Paranaense de 77 é o ex-lateral direito Ernestino Barros, que jogou como amador, mas acompanhava o time profissional em todas as partidas. ''O time estava tão embalado depois que subimos, que fomos campeões do 1º turno em 77 e mandamos o Maringá para a repescagem. Só que aí, na sequência do campeonato, o Maringá se recuperou, ganhou o returno e também o título'', recorda.
O zagueiro Marinho, hoje com 52 anos, retornou ontem ao palco onde começou como profissional, de onde guarda boas lembranças. ''Eu era moleque e como não havia espaço para mim no Londrina, me emprestaram ao Centenário. Fui banco aqui a maior parte dos jogos, mas aprendi muito com os mais velhos, que me deram muita orientação e isso me ajudou a ter a carreira de sucesso que tive'', agradece. Ele lembra que ''olhava do banco os caras jogarem'' e pensava em ir embora. ''O time era muito bom e imaginei que nunca teria uma chance. Era moleque e queria jogar noutro lugar para aparecer'', conta Marinho.
A iniciativa de reunir os craques do passado foi da Câmara de Vereadores e da Prefeitura de Centenário do Sul.

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