São Paulo, 03 (AE) - A decisão do Maringá de abandonar a disputa da Superliga Masculina de Vôlei deve servir de lição para a Confederação Brasileira da modalidade (CBV). A entidade pretende estudar fórmulas para assegurar que uma equipe inscrita na competição tenha condições de atender a todos os seus compromissos.
"Foi o primeiro caso em toda a história do torneio e, a partir dele, vamos tentar evitar que o problema se repita", diz o coordenador de Vôlei de Quadra da CBV, Antônio de Figueiredo Feitosa. "Agora, só podemos lamentar a situação."
A CBV resolveu anular todos os resultados dos jogos do Maringá. A princípio, a tabela em vigor será cumprida normalmente, apenas sem as partidas da equipe paranaense. Uma nova tabela deverá ser divulgada nos próximos dias.
Abalado por problemas financeiros, o Maringá perdeu os 14 jogos que disputou. Para não aumentar ainda mais a dívida do clube, a diretoria resolveu abandonar a competição. Em nota, os dirigentes pediram desculpas aos participantes pelos "transtornos causados".
O ex-meio-de-rede Paulão Jukoski, responsável pela montagem do time, acha que a decisão foi a melhor possível. "Se insistíssimos com o time, só acumularíamos mais dívidas", comenta o assessor especial do Instituto Nacional de Desenvolvimento do Esporte (Indesp), em Porto Alegre. "Só com a equipe atual, temos uma dívida de R$ 200 mil, que será paga de uma forma ou de outra."
Paulão - Um dos titulares da seleção brasileira campeã olímpica em Barcelona, Paulão investiu no time como uma empresa. Vendeu carro, trator, apartamento e cavalos na tentativa de obter patrocinador para recuperar depois o dinheiro. "Infelizmente, não deu certo", lembra o ex-atleta, que teve a promessa não cumprida de ajuda do governo do Paraná. Os jogadores foram liberados para procurar clube.
O presidente do Unisul, Joca Zappoli, lamentou o ocorrido. "O Maringá nem deveria ter entrado no torneio", diz. "Sem patrocínio, montou um time fraco e, com as derrotas, não conseguiu o apoio necessário." "O Maringá era o único time que destoava do nível técnico do torneio", comenta o presidente do Report/Nipomed, Ênio Ribeiro. "É uma pena que isso acontença justamente quando a competição está mais equilibrada."