São Paulo - A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou que vai contratar uma auditoria externa para avaliar contratos de terceirização de serviços assinados pela entidade. A decisão ocorre após denúncias feitas pela ESPN Brasil, revelando que empresas de dirigentes da própria CBV e da FIVB (Federação Internacional de Vôlei), hoje presidida pelo brasileiro Ary Graça, receberam R$ 10 milhões cada uma para prestação de serviços.
No primeiro caso, a empresa do ex-superintendente geral da CBV, Marcos Pina, recebeu os R$ 10 milhões para intermediar o contrato de patrocínio da entidade com o Banco do Brasil. O banco informa que o contrato foi assinado diretamente com a CBV. Em entrevista à TV Globo, Marcos Pina afirmou que o contrato da SMP com a CBV foi assinado em 2012, quando ele não era funcionário da entidade. Ele disse ainda que o contrato é lícito, foi avaliado por auditoria externa, aprovado e consta no balanço da CBV.
Já a segunda denúncia da ESPN diz que a empresa de Fábio Dias Azevedo, atual diretor geral da FIVB, recebeu os R$ 10 milhões por dois contratos de prestação de serviços e assessoria comercial. A empresa, porém, teria sido aberta três dias antes da assinatura dos contratos. Azevedo também trabalhou na CBV na gestão de Ary Graça.
De acordo com a entidade, a auditoria, que complementará processo de revisão interna já iniciado pela instituição, irá incluir a apuração de denúncias publicadas pela ESPN. "O objetivo é ter um diagnóstico preciso do impacto desses contratos para a instituição. E, a partir dos resultados da auditoria, definir as medidas que serão adotadas. A escolha da empresa de auditoria deverá ser definida nos próximos dias", diz nota da CBV.
A CBV diz ainda que "todos os contratos mencionados nas denúncias tiveram seus pagamentos suspensos preventivamente ou já foram cancelados".
O ex-superintendente-geral, Marcos Pina, já foi afastado do cargo. Ele havia assumido a posição de chefia na entidade em setembro passado. Em seu lugar está Neuri Barbieri, presidente da Federação Paranaense de Vôlei. "Iremos realizar uma revisão completa de todos os contratos de terceirização de serviços para tomar as providências necessárias caso problemas sejam detectados", afirma Barbieri, novo superintendente-geral da CBV, no comunicado da entidade.
Ary Graça assumiu a presidência da FIVB no início de 2013. Na sequência, Walter Pitombo Laranjeiras, conhecido como Toroca, vice da CBV há cerca de 30 anos e também presidente da Federação Alagoana de vôlei, assumiu a presidência da CBV. No início deste ano, entretanto, aconteceram grandes mudanças na gestão da CBV. Radamés Lattari, técnico da seleção masculina na Olimpíada de Sydney, em 2000, passou a ser o novo diretor de eventos.
A nova equipe de gestão ainda conta com Paulo Márcio (para cuidar das seleções), Marcelo Wrangler (vôlei de praia), Renato D'Avila (competições nacionais) e Carlos Luiz Martins (relações externas). A CBV também mudou a composição do Comitê Gestor da Superliga no início de 2014. Os ex-jogadores Renan dal Zotto e Leila Gomes passaram a trabalhar com Luiz Eymard e Renato D'Avila. Eles estavam sob o comando de Marcos Pina.

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