As ginastas que integraram até setembro a seleção brasileira de ginástica rítmica (GR) de conjunto receberam esta semana em suas contas bancárias depósitos que podem ser referentes às becas olímpicas, recurso gerenciado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e patrocinado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), destinado aos atletas olímpicos durante o chamado ciclo olímpico. A equipe de GR, que se preparou para os jogos olímpicos em Londrina sob o comando da técnica Bárbara Laffranchi, havia recebido, até a semana passada, apenas o dinheiro referente a dois dos cinco trimestres previstos no projeto.
No início deste mês, a falta de repasse foi denunciada por Bárbara em audiência pública realizada na Comissão Permanente de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, em Brasília. A audiência foi convocada para discutir a administração da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), que está sediada em Curitiba e é presidida há 14 anos por Vicélia Florenzano. Durante a audiência, a presidente da CBG declarou que a entidade havia feito todos os pagamentos corretamente e que não devia nada a ninguém.
Segundo Bárbara, os depósitos feitos na conta das ginastas do conjunto que desde a volta de Atenas não integram mais a seleção brasileira, já que a mesma foi dissolvida pela CBG só podem ter vindo da Confederação, pois só a entidade tem acesso aos números das contas bancárias das ginastas. ''O problema é que para receber o dinheiro do COB, a CBG deveria enviar relatórios de desempenho das ginastas, que são preenchidos pelas técnicas. A mim só foram pedidos dois relatórios, referentes aos dois trimestres em que o dinheiro foi enviado.''
Recentemente, ao ser questionada pela imprensa sobre o assunto, Vicélia chegou a afirmar que ''achava'' que tinha recebido um dinheiro, que poderia ser o das becas do conjunto de GR. Segundo Bárbara, porém, o COB jamais enviaria dinheiro a uma seleção que já havia sido extinta. ''Estamos falando de um projeto patrocinado pelo Comitê Olímpico Internacional, que é super-rigoroso e organizado'', ressalta.
Outra falha apontada por Bárbara é que a ginasta Jeniffer Oliveira, que passou a integrar a seleção em janeiro deste ano, jamais recebeu qualquer quantia em dinheiro por parte do COB. Pelo projeto da beca olímpica cada ginasta deveria ter recebido 50 dólares por mês e a técnica e a auxiliar técnica deveriam ter recebido 100 dólares por mês, repassados a cada trimestre, entre setembro de 2003 e agosto deste ano.

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