São Paulo- Uma das regras clássicas da diplomacia da várzea trata da contratação de partidas entre esquadrões de bairros. ‘‘Quer jogo contra? Então, manda ofício’’ é a lei não escrita que desde sempre definiu os trâmites para acertar duelos de fim de semana. Esse procedimento simples, e praticamente infalível, poderia ser seguido pela Confederação Brasileira de Futebol para enfim arranjar adversário para o amistoso do dia 7 de março, em Cuiabá. A tarefa nem é tão espinhosa - bastam agenda de telefones atualizada, além de noções de espanhol ou inglês, e com relativa facilidade se entra em contato com parceiras pela América Central, Caribe e Europa. Sem sobressaltos, sem correr o risco de desistências, como aconteceu com Colômbia e Chile, que se recusam a servir de sparrings.
Não faltam interessados em medir forças com o time de Luiz Felipe Scolari dentro de 15 dias. A Agência Estado entrou em contato por telefone com dirigentes de diversas entidades da Concacaf - mais a de San Marino - e pôde comprovar que na maior parte dos casos o amistoso sairia fácil, fácil. ‘‘Seria um grande prazer jogar com o Brasil’’, avisa Ramon Anderson, vice-presidente da Federação Jamaicana de Futebol, que não vê problema para reunir os ‘‘reggae boyz’’ em tempo de viajar para o Mato Grosso. ‘‘É só mandar fax em nome de Horace Reid, o secretário-geral, e fazer o pedido do jogo. Aceitamos.’’
Procedimento idêntico foi sugerido por Ramón Cardoze, secretário-geral da Federação Panamenha de Futebol. Em português fluente, o dirigente lembrou que seu país já ajudou o Brasil a preparar-se nas Eliminatórias para o Mundial (derrota de 5 a 0 em Curitiba, em 9 de agosto) e estaria disposto a colaborar novamente. Apenas com a ressalva de que mandaria o time de juniores. ‘‘É só ligar e marcar’’, adianta Cardoze. - ‘‘Nosso time estará no Rio entre 22 de fevereiro e 10 de março para um torneio’’, recorda Cardoze, ao mesmo tempo em que também apresenta a proposta. ‘‘Por que a CBF não marca com Honduras?’’
Desafio que anima os hondurenhos, responsáveis pela desclassificação brasileira na Copa América, com os 2 a 0 nas quartas-de-final. ‘‘Se formos convidados, analisaremos as condições e podemos concordar’’, afirma Rafael Hawit, vice-presidente da Federação do país.’’

mockup