CBF recua e recoloca Gama na Série A
Agência Folha
De São Paulo
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) curvou-se à Justiça e decidiu recolocar o Gama na Série A do Campeonato Brasileiro. Esta é a principal vitória do PFL do Distrito Federal na batalha jurídica há aproximadamente um mês para impedir o rebaixamento do representante local na elite do futebol brasileiro.
Numa carta enviada ontem ao juiz-auxiliar da 21ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, Eduardo Marques da Rocha, o presidente interino da entidade, Alfredo Nunes, informa que está cumprindo a decisão do juiz de determinar que Gama não caia.
Nessa decisão, de caráter liminar, o juiz determinou a anulação dos julgamentos da Justiça esportiva em que Botafogo-RJ e Internacional ganharam pontos dos jogos contra o São Paulo, por causa da presença do atacante Sandro Hiroshi, cuja documentação foi julgada irregular.
Com a anulação dos julgamentos, a média de pontos do Gama passou a ser maior do que a de Internacional e Botafogo-RJ, que caiu para a zona de rebaixamento. Assim, se for cumprido o regulamento e a situação jurídica não mudar, a CBF terá que rebaixar o Botafogo-RJ, junto com Paraná, Juventude e Botafogo-SP.
A decisão da CBF significa uma derrota do clube carioca e de seu maior protetor, o vice-presidente do Vasco, Eurico Miranda. Tanto ele como os dirigentes do Botafogo afirmaram repetidas vezes que, no ano que vem, não aceitarão colocar seus times na mesma competição que o Gama. Mas na mesma carta, Nunes diz que haverá recurso judicial contra a decisão mas não revele de quem.
Embora a decisão não signifique que a CBF desistiu de manter o Botafogo-RJ na elite do futebol brasileiro a entidade argumenta que a decisão da Justiça esportiva precisa ser respeitada, pois isso é o que determina o estatuto da Fifa , ela significa um recuo da entidade máxima do esporte nacional.
Virada de mesa A manutenção do Gama na primeira divisão do Campeonato Brasileiro deve motivar os clubes rebaixados neste ano a lutar por uma virada de mesa. Botafogo-SP e Paraná anunciaram que, caso o Botafogo-RJ, mesmo tendo perdido os pontos obtidos em julgamento do TJD (Tribunal de Justiça Desportiva), seja mantido na primeira divisão em 2000, vão recorrer à Justiça comum.
No entanto, há um grande empecilho para o sucesso de uma virada de mesa: o contrato dos clubes com as TVs Globo e Bandeirantes, segundo o qual o Brasileiro-2000 deve ter apenas 20 clubes participantes da divisão principal.
Se o contrato for descumprido, os clubes terão que pagar uma multa de US$ 50 milhões às emissoras. O campeonato está sendo negociado também com redes internacionais.
Clube dos 13 Antes de saber da decisão da CBF, o presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, afirmou que a associação iria respeitar a determinação da Justiça no caso Gama. A posição de Koff é contrária à do vice-presidente do Clube dos 13, o deputado federal Eurico Miranda (PPB-RJ). Miranda afirmou na semana passada que não aceitaria o Gama em um campeonato com os integrantes do Clube dos 13.
Segundo ele, caso a CBF incluísse o Gama na primeira divisão, os grandes times formariam uma liga sem o time do Distrito Federal. Eu lamento a atitude do Gama, mas decisão da Justiça não se discute, se cumpre , disse Koff.
O dirigente descartou a formação de um campeonato independente da CBF em 2000 e disse que a disputa jurídica prejudica a imagem do futebol brasileiro.





