CBF recebe dossiê de unificação dos títulos nacionais pré-1971
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Nelson Barros Neto<BR>Folhapress 
São Paulo - Com o argumento de que as competições nacionais de futebol não começaram apenas em 1971, os seis campeões dos torneios antes daquele ano, quando ocorreu o primeiro sob a denominação Campeonato Brasileiro, entregaram ontem dossiê com quase 300 páginas para a direção da CBF.
O ato era aguardado desde abril do ano passado, quando o movimento ganhou força. ''Mas não ficamos parados'', diz o coordenador-geral do projeto, José Carlos Peres. Entre os participantes do encontro estavam o presidente da CBF, Ricardo Teixeira e o ex-presidente da Fifa, João Havelange.
''Havelange é o principal entusiasta'', completa ele, que lembra frase do cartola à própria Folha de S.Paulo em 23 de abril de 2009, referindo-se à Confederação Brasileira de Desportos, antecessora da CBF: ''Ela se diz pentacampeã do mundo, mas quem ganhou três Copas (1958, 1962 e 1970) foi a CBD''.
Peres, que pede ''apenas que a imprensa de agora não desminta os companheiros do passado'', devido ao relatos históricos em que o sexteto é chamado de ''campeão brasileiro'', acredita que a batida de martelo não demorará a ocorrer. ''Ele (Ricardo Teixeira) nos deu a plena certeza que vai encaminhar para seus departamentos técnico e jurídico, que vão estudar o assunto e, dentro de 30 a 60 dias, ou até antes, haverá uma resposta'', disse.
Ranking
Caso confirmada, a unificação dos títulos tornará o Bahia, e não mais o Atlético-MG, o primeiro campeão nacional e deixará Palmeiras e Santos no topo do ranking geral, empatados com oito conquistas, à frente de São Paulo e Flamengo, atualmente com seis - o clube carioca conta a Copa União de 1987, em que a CBF considera o Sport como campeão brasileiro.
O superintendente do São Paulo, Marco Aurélio Cunha, alfinetou: ''Não adianta querer reinventar a história. Se for assim, então Dom Pedro foi presidente do Brasil, quando a gente sabe que era imperador''.
O levantamento do jornalista, escritor e santista Odir Cunha, responsável pelo texto do material, destaca que o momento ''ignorado'' marcou exatamente o ciclo de ouro do futebol nacional, com três Copas do Mundo ganhas em quatro disputadas.


