CBF prepara ranking nacional de árbitros
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de março de 2008
Martín Fernandez<br> Agência Estado 
São Paulo - A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vai criar um ranking de árbitros e assistentes, que terá como principais critérios a experiência e a quantidade de jogos em que cada um atuou, mas sem levar em conta a qualidade da atuação nas partidas. A idéia partiu do presidente Ricardo Teixeira em setembro do ano passado, depois que vieram a público as notas vexatórias alcançadas pela maioria dos 416 juízes e auxiliares num teste teórico.
O ranking está sendo elaborado pela comissão de arbitragem da CBF e será apresentado a Teixeira em abril. Quando as Séries A e B começarem, em maio, a classificação já estará pronta. ''Queremos criar um critério definitivo, que finalmente possa balizar a escolha dos árbitros para os jogos'', diz o presidente da comissão de arbitragem, Sérgio Corrêa da Silva.
Um levantamento preliminar mostra que o primeiro do ranking deve ser o gaúcho Carlos Eugênio Simon, seguido de Salvio Spínola (SP), Paulo César de Oliveira (SP), Wagner Tardelli (SC), Héber Roberto Lopes (PR) e Leonardo Gaciba (RS). A ordem pode mudar por causa dos jogos da Libertadores e da Copa Sul-Americana, que não tiveram peso definido.
Para montar o ranking, a CBF adotou a experiência como principal critério. Cada jogo apitado na Série A do Campeonato Brasileiro vale 1 ponto; na Copa do Brasil, 0,8 ponto. Na Série B, 0,6 ponto. E, na Série C, 0,4 ponto. A atuação do árbitro em cada uma dessas partidas não será levada em conta. ''Não temos como saber se o árbitro foi bem ou mal em cada jogo. Se o cara foi bem num Corinthians x Palmeiras, mas falhou num jogo de menor importância, qual peso teria cada jogo?'', argumenta Corrêa da Silva. ''Não queremos crucificar ninguém por alguns erros.''
Juízes e bandeiras que participaram de Copa do Mundo ganham um bônus de 150 pontos. Copa América vale 100 pontos e Mundial Sub-20, 75 pontos. Quem estiver há mais tempo no quadro da CBF também será beneficiado, porque a classificação prevê 100 pontos para cada ano de experiência.
O presidente da comissão de arbitragem diz que os critérios devem mudar ainda em 2008. ''Primeiro vamos fechar esta classificação e usá-la no começo do Campeonato Brasileiro'', conta. ''Mas para o segundo turno já teremos outra.'' Além dos pontos ''por experiência'', o ranking levará em conta os resultados em avaliações físicas e teóricas promovidas pela CBF e pelas federações estaduais.
O ex-árbitro Arnaldo César Coelho, hoje comentarista da TV Globo, criticou o critério de experiência. ''Tem juízes que estão há muito tempo por aí e nunca se destacaram. Vão aparecer em melhor lugar no ranking do que jovens com qualidade muito maior'', afirma. ''O melhor é escalar o árbitro e os assistentes de acordo com as características de cada partida. Esse ranking só vai servir para mecanizar a arbitragem. E futebol não é algo que pode ser mecanizado dessa forma.''


