CBF põe jogadores na classe econômica
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terça-feira, 17 de dezembro de 1996
Agência Estado 
O atacante Ronaldinho ficou surpreso ontem, no Aeroporto Internacional do Rio, quando entrou no avião que levaria parte da Seleção Brasileira até Manaus, e a aeromoça indicou o corredor da classe econômica. Não é ali?, questionou, apontando na direção da primeira classe. O astro do Barcelona e da Seleção viajou como um simples mortal para Manaus, a exemplo dos demais jogadores e de toda a comissão técnica. Todos ao lado de outros passageiros, sem mordomias. Amanhã, o Brasil faz seu último amistoso do ano contra a Bósnia, na capital do Amazonas.
Tratar os jogadores como pessoas comuns, sem exageros como os que marcaram a preparação da equipe para a Olimpíada de Atlanta, faz parte da nova política da CBF. Depois da eliminação da seleção na Olimpíada, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, decidiu rever os métodos de trabalho. Os jogadores podem viajar na classe econômica sempre que for necessário. Antes, a equipe só ocupava a classe executiva. A mudança de hábito foi aceita sem reclamações aparente.
Ronaldinho conseguiu relaxar, apesar de estar acostumado a viajar na primeira classe. O craque de US$ 100 milhões ocupou um lugar estratégico, onde pôde esticar as pernas e dormir praticamente durante toda a viagem. O técnico Zagalo viajou ao lado de Américo Faria na ala dos fumantes. Ele ficou surpreso ao receber a informação de que um jornal português publicara declarações de Carlos Alberto Silva, nas quais o treinador teria confirmado que vai assumir o cargo de auxiliar-técnico da seleção em janeiro. Só quem pode falar sobre isso é o presidente Ricardo Teixeira, respondeu Zagalo.
A seleção vai realizar seu terceiro amistoso em Manaus em um ano - enfrentou a Colômbia, em dezembro, e a Croácia, em maio. A equipe recebeu antecipadamente a cota de US$ 600 mil e pôde desfrutar das compras na Zona Franca de Manaus.
Para Zagalo, o amistoso é importante porque poderá testar, pela primeira vez, o trio Djalminha, Ronaldinho e Giovanni. Ronaldinho foi recebido como um ídolo pelos amazonenses. Ele posou com um cocar ao lado de belas caboclas estilizadas de índias. O atacante disse que se sente melhor na Seleção do que no Barcelona. Aqui eu jogo menos isolado, tem muita gente para auxiliar, justificou.


