CBF oficializa demissão e... mais nada
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segunda-feira, 02 de outubro de 2000
Das agências Do Rio de Janeiro 
Nem o nome do novo treinador, nem a nomeação de um interventor na seleção. Nada foi nem será decidido pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) até o jogo contra a Venezuela, no domingo, pelas eliminatórias da Copa.
A esperada entrevista coletiva do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, ontem, no Rio, não trouxe nenhuma novidade: foi apenas oficializada a demissão de Wanderley Luxemburgo e decidido que o auxiliar Candinho dirigirá a seleção contra a fraca Venezuela.
Teixeira negou que Luiz Felipe Scolari, do Cruzeiro, tenha recusado assumir a equipe nacional. Não pode haver negativa se não houve convite, afirmou.
Segundo ele, ninguém foi chamado porque não haveria tempo para escolher um novo técnico até o jogo contra a Venezuela. Em nenhum momento falei com Scolari, Parreira ou quem quer que seja. Cheguei ao Brasil no último fim-de-semana e não poderia, por falta de tempo, escolher um técnico até o dia 8. Vou ouvir muita gente, afirmou.
O dirigente disse ter conversado com vários presidentes de clubes para que lhe dessem a impressão de seus técnicos. De acordo com ele, será criada uma nova filosofia para a Seleção Brasileira. Mudar só o técnico não vai resolver o problema. Tem de ser estudado um novo projeto, disse.
Teixeira contestou que o futebol nacional tenha perdido a credibilidade com os recentes maus resultados, como a eliminação na Olimpíada e a atual quarta colocação nas eliminatórias.
Ele criticou incisivamente o fracasso da seleção olímpica, cuja campanha, que classificou como medíocre, determinou a queda de Luxemburgo. Decidi pela demissão depois do resultado contra Camarões, quando perdemos de forma inaceitável. Não precisei ouvir muita gente: era só ver as pesquisas e ouvir a população do Brasil.
O dirigente admitiu que os problemas pessoais do ex-técnico contribuíram para sua demissão. Luxemburgo está sendo investigado pela Polícia Federal, sob suspeita de falsidade ideológica, e responde a processo na Justiça Federal por sonegação fiscal. Dentro do contexto, isso afetaria a convivência dele na seleção e o melhor para a CBF e para ele foi haver esse divórcio.
Apesar de censurar a participação da seleção brasileira nos Jogos de Sydney, o dirigente usou o fracasso dos outros esportes o Brasil não conquistou nenhum ouro e ficou na 52ª posição como escusa para a eliminação. A seleção teve um péssimo resultado, mas outros também. Outros que a gente tinha certeza de que seriam campeões cometeram erros grosseiros e foram pessimamente colocados, disse.
Para o dirigente, a cobrança aumentou desde que a CBF passou a valorizar a Olimpíada. Demos um valor à seleção olímpica que não era dado antes de Atlanta-96, afirmou.
Romário x Levir O sonho de Romário de ultrapassar seu desafeto Zico na relação dos artilheiros da seleção brasileira pode ir por água abaixo caso Levir Culpi seja escolhido pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira, para ser o técnico após a partida contra a Venezuela.
Em enquete após a convocação para o jogo contra a Bolívia, o treinador do São Paulo reclamou da presença de Romário na lista de Luxemburgo e disse que o atacante vascaíno, aos 34 anos, não tinha condições de seguir com a equipe até a Copa de 2002 e por isso não deveria ser chamado.
Romário tem 62 gols em 78 jogos pela seleção.


