CBF mantém regulamento do Brasileirão
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quinta-feira, 02 de fevereiro de 2006
Michel Castellar<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, ignorou o apelo dos clubes e impôs ontem a realização do Campeonato Brasileiro de 2006 com o rebaixamento de quatro equipes para a Série B e a ascensão de igual número de times para Primeira Divisão. Preocupados com a possibilidade de um time grande ser rebaixado, o Clube dos 13 tentou apresentar uma proposta para apenas duas equipes trocarem de divisões. Mas a CBF não aceitou a solicitação e manteve o formato do campeonato.
Na noite de terça-feira, em uma reunião dos integrantes do Clube dos 13 que disputam a Série A, foi aprovada uma proposta para modificações no Brasileiro. Mas, ao chegarem na manhã de ontem na CBF, para a realização do Conselho Técnico, várias agremiações ''já haviam pulado para o lado da entidade''.
De acordo com a proposta que sequer foi apresentada, tanto em 2006 como em 2007, o Brasileiro seria realizado com 20 clubes, só que neste ano dois terminariam rebaixados para a Série B e outros dois promovidos à Séri A. No ano que vem, duas equipes cairiam, mas quatro subiriam para que o campeonato de 2008 fosse disputado por 22 clubes.
Tensão Por causa do apoio de alguns clubes à CBF, a reunião de ontem começou tensa. Com dez minutos de encontro, o presidente da entidade discursou, manteve a determinação de não mexer na competição e saiu sob a desculpa de que precisava viajar para Assunção, no Paraguai.
Um minuto depois foi a vez do presidente do Vasco, Eurico Miranda, abandonar o local não sem antes esbravejar e extravasar a sua revolta. ''Conselho Técnico é onde se discute o Campeonato Brasileiro, mas este aqui se tornou homologatório. Os clubes não podem decidir nada'', reclamou o dirigente vascaíno, irritado por Teixeira ter o poder de decidir sozinho sobre a competição. Tal direito foi dado ao presidente da CBF em 2005, quando as federações estaduais de futebol aprovaram a alteração no estatuto da entidade.
Eurico contou que Teixeira usou de todos os meios para pressionar os dirigentes dos clubes: citou ameaças de não concessão de empréstimos e até boicote dentro da entidade à agremiação que não aceitasse as normas. ''Flamengo, Santos, Fluminense, São Paulo, mudaram de lado. Ontem (terça-feira, na reunião do Clube dos 13), todos aceitaram nossa posição. Agora, chegaram aqui e começaram a dizer que não era bem isso, não era bem aquilo!'', reagiu o presidente do Vasco. ''Vai chegar um momento que a gente vai ter confronto com a CBF como aconteceu em 1987, com a Copa União. Rompemos com ela e fizemos o nosso campeonato.''
Para o presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, porta-voz do pedido dos clubes, não haveria problema em prevalecer a vontade da CBF, desde que tivesse existido um diálogo com os times. Com a manutenção das regras, o presidente da CBF assegurou a realização do Brasileiro nos moldes atuais por três anos. O Campeonato Brasileiro de 2006 irá começar no dia 15 de abril e vai até 3 de dezembro.


