CBF fatura cada vez mais com patrocinadores
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sábado, 14 de setembro de 2013
Almir Leite<br> Agência Estado 
Rio - A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou no início do mês o 13º patrocinador para as seleções brasileiras de todas as categorias, a Samsung, mas não vai parar por aí. Os planos da entidade são de aproveitar todas as oportunidades que aparecerem no mercado, pegando carona não só no sucesso atual da equipe - a seleção resgatou a credibilidade dentro e fora do País com a conquista da Copa das Confederações - mas também no fato de o Brasil sediar a Copa do Mundo de 2014. E não há limites. O lema é o seguinte: se for um bom negócio e não houver conflitos com os parceiros já existentes, fecha-se o patrocínio.
Essa política já era adotada quando Ricardo Teixeira estava no comando da CBF e foi mantida na administração de José Maria Marin. E o atual presidente não nega ser ávido por acordos que coloquem bom dinheiro nos cofres. "Existem outros estudos (de propostas de patrocínio), que nós estamos vendo com muito carinho e muito cuidado", admitiu Marin. "A CBF já era bastante procurada e isso aumentou, mas não pode haver conflito com aqueles que já são nossos patrocinadores."
A CBF não pode reclamar. As receitas com patrocínio cresceram significativamente nos últimos anos, embora estejam ainda longe do que a entidade pode pôr no caixa em cada amistoso da seleção. Em 2008, por exemplo, a "arrecadação" com patrocinadores foi de R$ 107,4 milhões; em 2013, alcançou R$ 235,5 milhões, de acordo com o balanço da entidade. Ou seja, em cinco anos, mais do que dobrou. Só o contrato com a Nike, o maior de todos, rendeu R$ 61,7 milhões no ano passado.
E as receitas com essa origem vão continuar crescendo. O acordo com a multinacional coreana Samsung, por exemplo, vai garantir US$ 6 milhões (R$ 13,7 milhões) por ano. O compromisso vai até 2018. No primeiro semestre, foi fechado contrato de seis anos com a Unimed Seguros, de valor não revelado.
Tropeços
Mas também há tropeços. A CBF tinha até recentemente um contrato até 2026 com a Marfrig, que explorava a marca Seara em banners, placas e uniforme de treinos da seleção e deveria render R$ 40 milhões/ano. Como a empresa ficou inadimplente, o acordo foi rompido no início de junho e um concorrente dela, procurado. Pouco tempo depois era fechado compromisso com a BRF (marca Sadia), mas por um valor bem menor: "apenas" R$ 20 milhões/ano, segundo fontes do mercado.
A entidade, aliás, é implacável com patrocinadores que atrasam pagamentos ou não honram termos do contrato, com a prestação de serviço, por exemplo. E substituir um parceiro por outro do mesmo ramo de atividade não é novidade. Nos últimos anos, a Vivo entrou no lugar da TIM e, mais recentemente, a Gol tomou o posto da TAM.
Com Marin à frente da CBF, além do contrato com Samsung, Sadia e Gol. foram assinados os acordos com a Mastercard, no ano passado, e com a Unimed Seguros, nas vésperas do início da Copa das Confederações. E o presidente, ao contrário do antecessor, já avisou que fará qualquer mimo para agradá-los, participando até de atividades promocionais se necessário for. "Nós ficamos inteiramente à disposição do patrocinador. Quando eles nos chamam para um anúncio, por exemplo, vamos atender", avisou.
O raciocínio vale para o cartola em particular e para tudo relacionado às seleções - de base e principal - de maneira geral. Nesse caso, porém, dentro dos padrões estabelecidos no contrato - exposição da marca por meios de banners, uniformes, propaganda em canais de mídia, placas em campos de treinamento, etc.
A CBF considera que são 13 os seus patrocinadores. Mas ainda recebe por ações acordadas com a Parmigiani (marca italiana de relógios) e Tenys Pé (marca Baruel). Além disso, a Ambev expõe três marcas (Guaraná Antarctica, Cerveja Brahma e Gatorade) e a Nestlé trabalha com Nescau e Garoto. Assim, 20 marcas são expostas em atividades da seleção.
Número razoável se comparado, por exemplo, com os da seleção italiana na Copa de 2010. Três anos atrás, na África do Sul, o hall do colégio escolhido pelos dirigentes da Azzurra para local das entrevistas dos jogadores foi forrado com banners, faixas, cartazes e painéis eletrônicos de 32 marcas.


