Nassau - Passado o anúncio oficial das sedes da Copa do Mundo de 2014, começou a fase de cobrança. O seminário que será organizado pela Fifa, entre os dias 8 e 10 de junho, num hotel do Rio, com a presença de representantes de todas as 12 cidades brasileiras eleitas no último domingo nas Bahamas, promete ser quente. Afinal, vão ser analisados todos os projetos e alguns sofrerão modificações, especialmente em relação aos estádios, conforme adiantou o presidente do Comitê Organizador do evento e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira.
  A maior preocupação de Ricardo Teixeira é a de não manchar ainda mais a sua imagem com um eventual fracasso na organização da Copa de 2014. Não quer ser o alvo central de críticas. Por isso, exige responsabilidade e trabalho duro de todas as cidades para cumprir todos os prazos estabelecidos pela Fifa. Sabe que qualquer atraso no cronograma pode acarretar em
multas e num possível adiamento
da conclusão das obras.
  Apesar de ser uma competição totalmente distinta de uma Copa do Mundo, por diversas questões óbvias, os Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007, servem como exemplo, principalmente no quesito organização. Na ocasião, muitos equipamentos tiveram suas obras concluídas às pressas, sob acusação de falta de planejamento e com gastos acima do que foi orçado.
  Pelo menos no discurso, a Fifa garante não tolerar esse tipo de erro de planejamento. No entanto, apesar de já ter manifestado preocupação com a possibilidade de alguns projetos para a Copa de 2010, na África do Sul, não ficarem prontos a tempo, a entidade descarta qualquer chance de tirar o Mundial do país africano.
  ‘‘O congresso no Rio vai ser porrada’’, resumiu um interlocutor do presidente da CBF, certo de que alguns projetos precisam de ajustes. São Paulo já até se antecipou. Na luta para ganhar o direito de receber o jogo de abertura do Mundial, o projeto arquitetônico do Morumbi foi revisto. Vai haver mudanças no setor de imprensa e também na área vip - destinado a autoridades e convidados, em prol da melhor visualização do gramado -, principal critica feita pela equipe de inspeção da Fifa durante a visita ao estádio são-paulino, em fevereiro passado. As rivais de São Paulo pelo direito de receber o jogo de abertura do Mundial são Brasília e Belo Horizonte.
  ‘‘A Copa de 2014 está começando. É como se estivéssemos passado no vestibular. Agora, temos cinco anos para a formatura, desde o primeiro jogo até a final do Mundial’’, declarou Ricardo Teixeira, ainda no domingo, em tom de forte cobrança aos governantes das 12 cidades escolhidas: São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza, Natal, Manaus e Cuiabá.
  É tão evidente a necessidade de melhorias em todas as sedes que nem os membros da Fifa conseguem minimizá-la. O próprio secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, admitiu que nenhuma cidade escolhida estaria hoje preparada para abrigar jogos da Copa do Mundo. Todas, sem exceção, precisam investir em transporte, segurança, estádios, telefonia e aeroportos. Ou seja, terão muito trabalho pela frente.

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