CBF e Dunga não têm autonomia para escolher rivais da seleção
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sexta-feira, 22 de maio de 2015
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra - Nem a CBF nem o técnico Dunga têm autonomia para definir sozinhos os adversários contra os quais querem jogar para preparar a seleção brasileira. Segundo o contrato secreto que estabelece as regras para a realização de partidas do Brasil, os times que atuam contra o País passam pelo crivo da empresa que detém os direitos sobre os amistosos, a ISE, e não apenas pelos planos do Brasil para preparar sua equipe para competições oficiais. Essa regra vai incluir até mesmo as partidas preparatórias para as Copas do Mundo de 2018 e 2022.
Há uma semana, a reportagem revelou com exclusividade um contrato entre a CBF e a empresa de fachada ISE, com sede nas Ilhas Cayman. A entidade brasileira vendeu para a companhia de investidores sauditas o direito de explorar a imagem da seleção e organizar amistosos, em troca de um cachê fixo.
Mas, no documento, fica estabelecido regras até para a convocação de jogadores. Um dos artigos determina que um substituto de um titular apenas pode ser convocado depois de haver um acordo "mútuo" entre a CBF e a ISE. No mesmo artigo, fica definido que o jogador precisa ter o mesmo "valor de marketing" que o titular. Pelo contrato, a ISE tem o direito exclusivo de explorar comercialmente a seleção até 2022.
O controle, porém, vai além e inclui até mesmo o plano de preparação de adversários. "O Time B será selecionado por consenso mútuo entre as partes", declarou o artigo 11.5 do acordo. O time B, no caso, se refere ao "time de futebol que disputará uma partida amistosa" contra o Brasil.
Na prática, o que esse artigo confere é o direito da empresa de selecionar e propor amistosos que tenham apelo comercial. A CBF, apesar de ser consultada, não pode tomar uma decisão sozinha sobre quem quer enfrentar apenas com base em um plano esportivo.


