Rio, 27 (AE) - A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) descumpriu o Código Brasileiro Disciplinar de Futebol (CBDF), ao paralisar, na semana passada, a Série C do Campeonato Brasileiro. Por decisão administrativa, assinada pelo diretor do Departamento Técnico e vice-presidente da entidade, Alfredo Nunes, as partidas da competição foram suspensas até o julgamento, no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), dos recursos movidos por Anapolina-GO e Figueirense-SC. A última rodada foi disputada no dia 10 e não há previsão de quando os jogos serão reiniciados.
O clube goiano recorre da impugnação de seus jogos contra Vila Nova-MG e Fluminense, determinada pela Comissão Disciplinar do TJD, por causa da escalação irregular do lateral-direito Tupã. Mas o CBDF é claro em seu artigo 180: "Nos casos de impugnação de partida, se concedido o efeito suspensivo ao recurso interposto, o campeonato ou torneio não será paralisado."
O presidente do TJD, Sérgio Zveiter, confirmou que a Série C foi paralisada equivocadamente. "Por força da lei, isso não deveria ter ocorrido." A opinião foi compartilhada pelo presidente da 1ª Comissão Disciplinar, Paulo Ferreira Rodrigues. "O código é claro, não deveria haver a paralisação."
O Figueirense quer que o TJD retire os pontos que Rio Branco-PR e Caxias-RS obtiveram, na Comissão Disciplinar, de seus jogos contra o Volta Redonda-RJ, em decorrência da escalação irregular do jogador Leonardo, do time do interior do Rio.
A CBF tomou a medida de prorrogar o início da segunda fase, por temer que um eventual sucesso de Anapolina e Figueirense no TJD pudesse alterar a tabela da competição ou, mesmo, deixasse sem efeito o resultado de alguns jogos.
Se Alfredo Nunes utilizasse o mesmo critério na Série A, em que há vários recursos pendentes, o campeonato dos grandes clubes também poderia estar interrompido.
Zveiter pretende julgar todos os recursos da Série C até o fim da próxima semana. Mas isso ainda depende do parecer da procuradoria do TJD às alegações apresentadas pelos clubes.

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