Santiago - A vontade do jogador e a derrota considerada certa na Câmara de Apelações levaram a CBF a desistir do recurso para tentar manter Neymar na Copa América. O atacante foi desligado ontem da seleção e deu início às férias em sua casa, no Guarujá (SP). Deve completar o período de descanso no balneário espanhol de Ibiza.
"A Copa América para mim acabou e não tinha motivo para continuar aqui. Ficar só treinando ia me matar por dentro. Seria muito ruim", disse Neymar ao deixar o hotel em que a seleção está em Santiago. Antes, por meio do Instagram, pediu perdão aos companheiros e explicou que estava deixando o grupo para "não atrapalhar".
A desistência do recurso e o desligamento de Neymar da seleção vinham sendo estudados desde o último sábado, dia seguinte à suspensão de quatro jogos que lhe foi imposta pela expulsão no jogo com a Colômbia e as ofensas ao árbitro chileno Enrique Osses.
O craque, depois de "ter caído a ficha", dava sinais de não acreditar que teria a pena reduzida para três jogos - o que lhe permitiria jogar uma hipotética final. Dizia a companheiros que gostaria de descansar e entendia ser "angustiante" ficar no grupo sem poder atuar.
No domingo, antes e durante o jogo da seleção contra a Venezuela, a CBF obteve sinais claros de que Guilhermo Saltos, representante da Câmara de Apelações e responsável único por analisar o recurso, não estava disposto a reduzir a pena. O equatoriano teria comentado com amigos que o gancho foi até pequeno - havia proposta de suspensão por cinco jogos - pelo descontrole e o acesso de fúria que Neymar teve no túnel de acesso aos vestiários.
Ou seja, era caso perdido. Além disso, é fato que os brasileiros perderam força na Conmebol com o escândalo de corrupção na Fifa que implicou vários dirigentes ligados à entidade sul-americana, entre eles o ex-presidente da CBF, José Maria Marin. Uma derrota na defesa do craque do time poderia expor ainda mais a fragilidade.
Paralelamente a isso, de dentro do grupo vinham indícios de que Neymar estava de saída. No sábado, Dunga disse que caberia ao atacante decidir se ficava ou não. No domingo, o ex-capitão Thiago Silva disse que o craque merecia descansar suas "perninhas abençoadas". Daniel Alves também defendeu férias para o atacante.
Chegou-se a cogitar até tentar colocar Neymar diante de Saltos para pedir desculpas. Mas a Câmara de Apelações jamais teve um caso em que ao réu fosse dado o direito de se defender pessoalmente. Por fim, decidiu-se pelo desligamento.
"Foi uma decisão da comissão técnica junto com o jogador, sem trauma, discordância, nada. Chegou-se à conclusão de que com sua permanência haveria o risco de criar uma instabilidade que o grupo não tem'', disse o secretário-geral da CBF, Walter Feldman.
Isso porque Saltos poderia demorar para se pronunciar sobre o recurso - teria prazo até sexta-feira - e essa indefinição ter reflexos na seleção. "Conversei com o Dunga e com o Gilmar. Ficamos sabendo que a punição não ia diminuir, então o melhor era eu ir embora", disse Neymar. "Foi um caso em que me deixei levar. Agora é descansar a mente e aproveitar a família. Que isso sirva de aprendizado".

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