CBF começa a ceder às pressões do Gama
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segunda-feira, 22 de novembro de 1999
Por Sílvio Barsetti 
Rio, 22 (AE) - A Confederação Brasileira de Futebol começou hoje a ceder à pressão dos clubes rebaixados para a Série B do Campeonato Brasileiro, o que pode ser um indício de que no ano 2000 o campeonato será realizado com 24 clubes. O senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), líder do governo no Congresso, esteve hoje na entidade e pediu ao presidente Ricardo Teixeira que o Gama permaneça na Série A.
Em tom severo, Arruda disse que as regras do campeonato deveriam valer para todos os clubes, "e não para um, dois ou 13 clubes", disse, referindo-se ao poder do Clube dos 13 nas decisões da CBF. O senador afirmou que poderia apoiar uma "grande investigação" no futebol brasileiro se o Gama não tiver "seus direitos respeitados".
Antes do encontro com Teixeira, o senador admitiu também o seu apoio a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o contrato da CBF com Nike. "Se nós não conseguirmos um entendimento por meio do diálogo, acho que valia a pena essa atitude, já que o Brasil precisa também passar a limpo o futebol."
Durante 55 minutos Teixeira e Arruda conversaram sobre o assunto e, no final do encontro, o presidente da CBF determinou ao seu vice, Alfredo Nunes, que estudasse a questão para ver que medida a CBF poderia vir a tomar. A alegação do senador é a de que o Gama não pode ser prejudicado pela perda de pontos do São Paulo dos jogos contra o Botafogo do Rio e o Internacional, por causa da escalação supostamente irregular de Sandro Hiroshi. Como o Tribunal de Justiça Desportiva tirou esses pontos do clube paulista, o Botafogo e o Inter fugiram do rebaixamento e provocaram a queda do Gama. "O Gama não pode ser prejudicado por uma decisão injusta, inexplicável e desigual."
Conversa dura - Na saída da CBF, o senador disse que teve uma conversa séria e educada, mas dura com Ricardo Teixeira. "Mostrei argumentos a ele e o presidente entendeu a nossa reivindicação." No encontro, segundo Arruda, os dois fizeram algumas considerações sobre erros na legislação esportiva. O senador questionou o fato de o TJD possuir três representantes indicados pelo setor-Rio da Ordem dos Advogados do Brasil e disse que vai apresentar um projeto no Senado para mudar a composição do tribunal esportivo.
O senador deixou claro que sua iniciativa não foi em represália à CBF e demonstrou o seu apoio ao clube brasiliense no ingresso na Justiça comum. "Após o julgamento do TJD não há mais recurso na esfera esportiva, e isso também tem que ser mudado", disse Arruda, que também deixou claro estar convencido de que a Lei Pelé deve ser alterada. "Não diria que houve má-fé da CBF ou do tribunal em determinar o descenso do Gama, mas temos de defender os direitos do consumidor." Para Arruda, a CBF é uma entidade de direito privado, que presta serviço público e que, por isso, tem que dar explicações a quem consome o futebol, isto é, aos torcedores.


