CBF ataca Fifa sobre arbitragem
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quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Jamil Chade<br>Agência Estado 
Zurique - O presidente eleito da CBF, Marco Polo Del Nero, banca a decisão dos árbitros brasileiros contra os comentários da Fifa e também rebate: ninguém na entidade é "leviano". Na última quarta-feira, em entrevista a jornalistas brasileiros, o chefe de arbitragem da Fifa, o italiano Massimo Busacca, negou que haja uma orientação da entidade para apitar pênalti ou falta em qualquer bola na mão, como tem sido o comportamento dos árbitros brasileiros.
Suas declarações causaram mal-estar dentro da CBF e entre os árbitros. No Brasil, o chefe da comissão de arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa, insistiu que as novas orientações eram uma recomendação da Fifa e que teria sido o uruguaio Jorge Larrionda, instrutor da Fifa, quem passou as novas ordens. "O Sergio Correa respondeu lá no Brasil", declarou Del Nero nesta quinta na Fifa. "Nós temos os vídeos, as provas. Ele não é leviano", insistiu.
Na quarta, a Fifa insistiu que "nunca mudou" a "regra da bola na mão" e criticou o comportamento dos juízes no Brasil. Para a entidade, os árbitros precisam "ler a situação" e não dar falta a cada bola que toque a mão. "A mão faz parte do jogador. Não há como pensar em um jogador sem mãos", indicou Busacca.
Nas últimas semanas, a arbitragem no Campeonato Brasileiro tem causado diversas polêmicas, em especial por conta de lances de mão na bola. A diretriz da CBF sobre a "mão na bola" aponta para uma direção exatamente contrária à avaliação de Busacca.
A recomendação "une a mão intencional com o toque teoricamente não proposital e intensifica as marcações de infrações, mas levando em consideração fatores como a distância entre o atleta que tocou na bola e aquele que chutou". Na prática, a recomendação restringe a interpretação de que possa haver um movimento de bola na mão.
Na Fifa, a recomendação surpreendeu. Segundo Busacca, "não se pode dar falta a qualquer toque de mão". "Isso é um absurdo", declarou. Para ele, o que precisa ser pensado é se a mão de um jogador estava ou não no local de forma "natural ou não-natural".
"Um jogador precisa de sua mão e de seu braço para correr, para se equilibrar e para saltar", disse. "Não se pode jogar sem mão", declarou. Para ele, questionar isso é "desrespeitar o atleta". Outro fator, segundo ele, que precisa ser avaliado é se o toque foi "intencional ou não". "Quando um jogador tenta fazer seu corpo maior usando a mão, isso deve ser punido", disse.
Busacca insiste que, em seu trabalho, tem reforçado a ideia de que os árbitros precisam ir além das regras escritas e saber "ler" uma situação. "O juiz não pode só pensar como juiz e apenas aplicar o que está escrito", disse. "Um juiz precisa se colocar no lugar do jogador e entender um movimento", completou. Nesta semana, o presidente da CBF, José Maria Marin, deixou claro que estava "insatisfeito" com a arbitragem no Brasil.


