CBF ainda pode organizar o Brasileiro
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2002
Agência Estado 
Rio de Janeiro - A intenção dos dirigentes de federações estaduais de que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) continue organizando o Campeonato Brasileiro não encontra resistência em nenhuma lei que rege o desporto no País.
O jurista Valed Perry, especialista em legislação esportiva, explicou ontem que a idéia pode ser concretizada apenas por um gesto político da própria direção da CBF.
A Lei 9.615/98 (Lei Pelé) permite a criação de ligas regionais e nacionais, mas não estabelece que essas ligas tenham de organizar campeonatos, afirmou Vale Perry.
A Resolução de Diretoria (RDI) 13/01 da CBF, assinada por seu presidente-interino Alfredo Nunes em 6 de dezembro de 2001, sugeria que a Liga Nacional de Clubes, ainda não formalizada, passasse a responder pelo Campeonato Brasileiro em 2002, nas séries A, B e C.
Mas até isso não pode ser considerado uma definição clara de que a competição sairia do crivo da CBF. Até porque a Liga nem foi criada ainda, explicou Valed Perry.
De qualquer forma, sete presidentes de federações estaduais estão mantendo encontros no Rio desde terça-feira, a fim de estudar e propor à direção da CBF alterações no texto da RDI. Cinco deles formam o Conselho Consultivo da CBF, órgão que tem poder apenas de opinar sobre as medidas administrativas da entidade.
O presidente da Federação de Futebol de Pernambuco, Carlos Alberto Oliveira, disse que as federações não vão deixar nenhuma liga comandar o Campeonato Brasileiro.
Alfredo Nunes voltou a ocupar a vice-presidência da CBF após o retorno de Ricardo Teixeira ao posto principal e, agora, ficou sem espaço político na entidade.
Para presidentes de várias federações, como Carlos Alberto Oliveira e Delfim Peixoto, de Santa Catarina, Alfredo Nunes assinou a RDI para agradar ao ministro do Esporte e Turismo, Carlos Melles. A RDI fortalece as ligas, mas elas vão voltar à estaca zero, prometeu Carlos Alberto Oliveira. O presidente da Federação Paranaense, Onaireves Moura, também está no Rio de Janeiro para pressionar a CBF a reduzir os torneios regionais e valorizar os estaduais.


