Rio, 08 (AE) - O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, admitiu hoje que poderá até recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir o encerramento do Campeonato Brasileiro. "A competição não vai parar, quaisquer que sejam as medidas a serem tomadas", assegurou. Mais uma vez, o dirigentes reiterou que não há também a menor possibilidade de uma "virada de mesa" no Brasileiro, mesmo que Botafogo-RJ ou Internacional sejam rebaixados.
Ele não quis comentar a ameaça do São Paulo de ingressar na Justiça comum para recuperar os pontos do jogo com o Botafogo
cassados pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD). "Não falo sob hipóteses", disse. O apoio dos clubes paulistas da Série A do Brasileiro a uma ação cautelar do São Paulo também não foi comentado pelo dirigente, que acusou a Federação Paulista de Futebol (FPF) de ter cometido um erro ao ignorar "a falha na documentação do jogador Sandro Hiroshi". "Nós informamos a federação sobre os problemas; se tudo fosse apurado a tempo, não haveria essa confusão", declarou, referindo-se às ações contra o São Paulo por causa da escalação do atacante em jogos do Brasileiro.
Teixeira enfatizou hoje, em entrevista coletiva, que em nenhum momento dissera que Hiroshi seria banido do futebol. "Ao contrário, ele não corre nenhum risco de eliminação", observou. O presidente da CBF explicou que o jogador será julgado pelo TJD e que sua punição, prevista no Código Brasileiro Disciplinar de Futebol (CBDF), vai ser de 120 a 360 dias de suspensão - por falsificação de documentos. "Depois, o caso seguirá para a Comissão Disciplinar da Fifa, onde vamos tentar defender a decisão do nosso tribunal." Há duas semanas, porém, ele afirmara que a Fifa poderia banir Hiroshi e que o registro do jogador estava cancelado na CBF.
A resolução de diretoria da CBF, editada em 1997 e que mudou o artigo 301 do Código Brasileiro Disciplinar de Futebol (CBDF), vai ser revogada após o Brasileiro. Pela medida, um clube que utiliza um atleta em condição irregular perde os pontos de seus jogos para o adversário. "Vamos cancelar várias RDIs (resoluções de diretoria), entre elas a do artigo 301, que não foi utilizada como deveria ser e isso gerou uma indústria." Ele adiantou que a partir do próximo Campeonato Brasileiro os clubes vão ter de relacionar com mais antecedência todos os atletas que vão participar da competição e que o prazo para impugnação de partidas será redefinido.

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