Rio - O torneio a ser organizado pela Liga Sul-Minas-Rio vai mesmo sair no primeiro semestre de 2016. Um encontro que reuniu presidentes de clubes e a cúpula da CBF ontem confirmou a criação da competição. A garantia, segundo representantes da recém-criada liga, foi dada pelo próprio presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, que "abraçou a ideia", apesar de ter pedido 48 horas para dar uma resposta definitiva.
A expectativa era de que a entidade apresentasse resistência à competição - a CBF divulgou o calendário do próximo ano com antecedência e praticamente sem datas extras disponíveis -, mas os dirigentes presentes ao encontro saíram eufóricos.
"O importante não é a leitura de 48 horas (de prazo). O importante é que ele (Marco Polo Del Nero) falou assim: 'Estou de acordo, acho que é um avanço e a CBF quer abraçar a ideia'. Isso é o mais importante para nós", declarou o CEO da Liga Sul-Minas-Rio, Alexandre Kalil, ex-presidente do Atlético Mineiro. "O saldo foi surpreendentemente espetacular porque a liga está montada, o produto está na rua. Nós vamos cumprir nossos contratos com os Estaduais. A liga está definitivamente formada. Seguramente é o segundo produto do futebol brasileiro", completou.
A reunião desta quinta-feira contou com a presença de quase todos os clubes signatários da liga - Internacional e Grêmio não puderam comparecer, enquanto que Chapecoense e Joinville foram representados pelo presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim Peixoto.
"Entregamos os estatutos e o pedido de autorização à CBF para que seja constituída a liga e autorizada a Copa Sul-Minas-Rio. A recepção foi ótima, como não poderia deixar de ser. Afinal, não se trata de nenhum ato hostil ou contrário a qualquer coisa da CBF - ao contrário, é a criação de um instrumento para valorizar cada vez mais nosso calendário", declarou Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo, o primeiro a deixar a reunião.

TORNEIO
Foi acordado que a competição terá seis datas. Para isso, o torneio terá um formato diferente daquele que havia sido previamente acordado - em vez de 10 clubes, serão 12. Participarão Internacional, Grêmio, Avaí, Figueirense, Coritiba, Atlético Paranaense, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Flamengo e Vasco, além de outros dois que serão definidos entre os outros cinco integrantes da liga - Criciúma, Chapecoense, Joinville, Paraná e América-MG.
Os clubes definiram que a competição será realizada com três grupos. Os primeiros colocados estarão classificados à semifinal, junto com o segundo melhor. "Será uma competição mais enxuta em 2016 em função do calendário, mas nada impede que mudemos para 2017", declarou Gilvan Tavares, presidente do Cruzeiro e da liga.

ARTICULADO
A reunião entre dirigentes e o presidente Marco Polo Del Nero durou menos de duas horas e na saída os presidentes de clubes vibraram com a declaração de Del Nero de que "abraçava a ideia". Mas, segundo interlocutores, a expressão se referia à criação da liga e não da competição entre os clubes que a compõe.
"O sistema do futebol é muito articulado. Envolve a CBF, as federações e os clubes brasileiros. Portanto, a resposta em relação a isso tem que ser uma resposta articulada", comentou o secretário-geral da CBF, Walter Feldman. "O presidente (Del Nero) se comprometeu a, nos próximos dias, estudar os vários departamentos ligados a essa questão, notadamente a área jurídica e de competições, para nós termos o resultado adequado".
A criação de um novo torneio encontra resistência em federações, que temem a perda de força dos campeonatos estaduais.

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