O velódromo de Maringá, construído como parte do complexo esportivo da Vila Olímpica, foi reprovado pela Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC). O relatório elaborado pelos ciclistas Luciano Pagliarini e Emersom Francisco Silva aponta que o velódromo ''deixou a desejar'' em detalhes como a aderência do piso feito em corodur (material identico à granitina) e a falta de um alambrado de segurança.
''Com esse material é possível correr com a bicicleta inclinada, mas dificulta manobras mais arriscadas. Para passar mais devagar, como numa velocidade de 10 km/h, ele também vai escorregar. O que peca é a aderência, que é um absurdo'', exemplifica Pagliarini.
''É uma pena. Está tudo muito bonito, mas não dá'', pontuou o ciclista. De acordo com sua análise, não é possível reformar e a única solução é ''destruir e refazer''. ''Existe a opção de pintar com uma tinta que traga mais aderência, como a utilizada em quadras de esporte. Essa seria a opção'', opiniou. Também falta uma cerca de proteção (alambrado) numa das extremidades da pista, que pode gerar acidentes.
De acordo com Edith Dias, secretária de esportes de Maringá, as observações da CBC já foram encaminhadas para o engenheiro Antônio J. Bianchi, da Recoma, empresa responsável pela obra. Ela afirma ainda que os problemas foram ''decorrentes da execução da obra e não na concepção do projeto'', sendo responsabilidade da construtora que assumiu a empreitada os defeitos.
''As irregularidades foram no 'como fazer'. Existe uma ondulação na pista que não está no projeto. Até existem alguns detalhes que não constavam, mas o resto é questão da construção'', esquiva-se Edith.
De acordo com a secretária, os ciclistas estão utilizando a pista para treinos mesmo com os problemas encontrados. ''Não chega a ser perigoso'', justifica, quando indagada sobre o risco que os praticantes correm devido aos problemas apontados pela CBC. ''O que não pode é promover competições nacionais. Foram apenas alguns detalhes que ficaram para trás, pequenos defeitos sanáveis'', defende.
Construtora
Segundo Antônio Jesus Bianchi, engenheiro civil da Recoma - empresa que construiu o velódromo -, o piso utilizado (corodur) é melhor que o cimento tradicional, que costuma ser utilizado em outras pistas como, por exemplo, a de Curitiba. Ele afirma que o piso utilizado em Maringá é mais resistente que o normal. ''Se for trocar, vamos ter que colocar um que machuca mais. É o melhor piso que tem, mas também não vai ficar igual ao programa de computador. Sempre falta algum detalhe'', argumenta.
Quanto à falta de aderência da pista, Bianchi atribui à poeira que vem da Avenida Colombo - localizada ao lado -, devido ao constante movimento de carretas e caminhões na região. ''Eles soltam poeira e independente do piso que for, vai escorregar. Não tem outro jeito. Se fosse coberto não teria esse problema'', justifica.
No caso da grade de proteção, ele afirma que ''não estava prevista no projeto. Isso ficou para outra etapa e a responsabilidade é da prefeitura. Não constou na licitação''.

mockup