Rio - A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) enviou, ainda no ano passado, um pedido à Prefeitura do Rio para a realização de um Grande Prêmio Internacional de Atletismo no Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, em maio deste ano. Mas não obteve resposta. É o que revela Roberto Gesta de Melo, presidente da CBAt. O pedido, inclusive, foi repassado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Com o impasse, a confederação optou pelo Célio de Barros, que abrigará a competição no dia 18 de maio.
''Num local como o João Havelange, haveria uma repercussão maior e poderíamos atrair nomes de maior peso do atletismo. Mas não podíamos esperar muito tempo e acertamos com o governo do Estado (do Rio) o uso do Célio de Barros, que será uma boa sede'', comenta Roberto Gesta. Para o dirigente do atletismo, a concessão de locais como o Engenhão - cuja pista de atletismo não mais foi usada depois dos Jogos Pan-Americanos - à iniciativa privada é um entrave à implementação de iniciativas para utilização das instalações herdadas após a competição.
''Entendo a necessidade de passar a administração de uma instalação custosa à iniciativa privada. Mas no caso do Engenhão, por exemplo, isso limita o uso das áreas de atletismo. Como o estádio é do Botafogo, o futebol será prioritário e fica difícil conciliar os interesses'', diz Gesta, para quem o Estádio Olímpico deveria abrigar pelo menos 2 ou 3 grandes competições de repercussão internacional, até para gabaritar a candidatura brasileira a sediar a Olimpíada de 2016.
Gesta aponta ainda o bom trabalho de desenvolvimento do esporte que a federação carioca de atletismo realiza tanto no Célio de Barros quanto no Miécimo da Silva, construções anteriores ao Pan. ''O poder público precisa definir pelo menos uma grande competição anual de atletismo para o Engenhão.''
A prefeitura do Rio defende as privatizações, ainda que para as próprias confederações esportivas, que buscariam parceiros para arcar com os custos. ''O tempo do poder público é lento. Para ceder um espaço para a publicidade, por exemplo, é preciso respeitar todos os trâmites, passar por uma burocracia. A iniciativa privada não tem tais impedimentos e, portanto, é mais ágil'', argumenta Gustavo Cintra, secretário municipal de Esporte e Lazer. (L.M./Agência Estado)

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