Cavalo paulista Aiortrophe vence GP Brasil na Gávea
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sábado, 14 de agosto de 1999
Por Maurício Ielo 
Rio, 15 (AE) - Pode ter sido um dos campos mais fracos dos últimos anos, pode ter sido pouco charmoso com tanto frio e chuva, pode não ter tido o brilho internacional de outras versões, mas há uma certeza: foi um dos Grandes Prêmios Brasil mais emocionantes. E os motivos são dois, bastante distintos. Quem montou Aiortrophe foi Zirbo Paulielo Jr., um jóquei de pouquíssimas montarias e número ainda menor de vitórias, mas para quem não há cavalo manco ou baldoso que não possa ser dirigido. O segundo é que a vitória de Aiortrophe, que manteve a tradição de cavalos paulistas vencerem a maior prova do turfe carioca nos últimos quatro anos, pode representar para a criação brasileira a volta de um dos maiores criadores de sua história.
Aiortrophe venceu porque a prova saiu exatamente do jeito que seus responsáveis haviam sonhado em seu sonhos mais otimistas. Grama muito pesada, que é a preferência absoluta do cavalo, e um ritmo de corrida em que se pôde colocar em terceiro logo na primeira passagem do disco. Antes da prova, com um céu mais para paulistano do que carioca, o treinador Afonso Florio Barbosa e o jóquei Zirbio Paulielo Jr. admitiam que a chuva que, literalmente, haviam implorado, tinha sido até mais do que a necessária. Quando o starter deu a largada, El Macanudo, um grande azar, e Fool Around, um dos favoritos dos cariocas, foram para a ponta. Mas Zirbo conseguiu, ao natural, colocar seu animal em terceiro, sem esforço, e parecia que todos os demais concorrentes faziam o que deles a equipe do Haras Malurica esperava.
E fizeram. Defendendo as cores de seu criador, o Haras Malurica, a vitória de Aiortrophe no GP Brasil deve fazer Ricardo Vidigal voltar a criar. Homem de poucas palavras e sempre irônico, não fazia a menor questão de esconder a emoção e até mesmo os olhos vermelhos. Há três semanas, Aiortrophe havia vencido o GP Ministro da Agricultura, em Cidade Jardim, que é o páreo que prepara os corredores paulistas, exatamente nesse mesmo tipo de raia, até para surpresa geral.
Quando, ainda no sábado, finalmente choveu no Rio, a delegação paulista, menor do que nos anos anteriores, sabia que era com Aiortrophe que se podia contar. A pule, que no Rio foi de R$ 40 90, simplesmente mostra que os cariocas não acreditaram no que os paulistas trombeteavam desde o dia anterior.
Como o dia parecia, meteorologicamente, completamente paulistano, o páreo acabou não sendo diferente. Quem terminou na segunda colocação foi o argentino Unrivalled, que é treinado em Cidade Jardim, formando exatamente a dupla que havia vingado no GP Ministro da Agricultura, em Cidade Jardim. Esse animal, montado pelo chileno Gabriel Meneses, havia sido vendido a um proprietário carioca na semana anterior ao GP Brasil, mas contou pontos para São Paulo.
A decepção ficou por conta das esperanças cariocas. O veterano Fool Around foi brigar pela ponta, mas acabou não passando de um modestíssimo 14.º lugar. E Omnium Leader, que era o favorito da prova, com o jóquei Gonçalino Feijó de Almeida vindo especialmente dos Estados Unidos para montá-lo, nunca participou da prova e terminou em um apagado 18.º lugar, à frente apenas de dois competidores. Absolute Ruler, Sunshine Way e Ravaro, pelo menos, fizeram com que os prêmios de terceiro a quinto lugares ficassem para o Rio. O tempo foi de 234"8, o possível numa raia extremamente pesada.


