Num mar de areia, os cavalos desciam lentamente afundando as patas em mais uma íngreme duna... A posição do cavalheiro, em descida, deve ser a de inclinado para trás, tentando equilibrar o peso, aliviando o tremendo esforço do cavalo.
  A paisagem é magnífica! O amarelo das dunas de Moçambique, norte da Ilha de Santa Catarina, contrasta com a linha azul do mar no horizonte e o verde do bosque que o antecede. À esquerda, o nosso objetivo, a Pedra das Aranhas, situada no topo do morro com mesmo nome. Felizmente, neste começo de outono, as tardes no litoral catarinense ficam nubladas, com pancadas de chuva no final de tarde: Sem sol, os cavalos e o grupo têm um passeio mais proveitoso, sem o castigo do forte calor. Em dias ensolarados as dunas esquentam muito, explica Ana Alice Bastos, a Mana, nossa jovem guia, de apenas 19 anos.
  O passeio é repleto de obstáculos em diferentes ambientes. O desafio de vencer as dunas, as passagens a galope em estreitas trilhas (cuidado com os galhos!), a experiência de cruzar pequenos lagos no meio do areial, refrescando os cavalos, e a corrida na deserta Praia de Moçambique, fazem da cavalgada uma divertida aventura que, ainda, pode ser curtida entre amigos ou em família.
  Ao longo dos 12 quilômetros percorridos em duas horas, os cachorros da Cabanha Santa Bárbara, haras organizador do passeio, escoltaram nosso grupo correndo à valer, realizando um levantamento minucioso do terreno, apontando tocas de lagartos, corujas, quero-quero e sabe lá o que mais...

Comandando o
amigo cavalo

  A principal barreira a ser vencida pelo montador iniciante é o de controlar o cavalo. Já nos primeiros metros, nosso amigo nos põe à prova: manhoso, vai ao passo pastando à beira da trilha... Se o turista deixar, já era! O cavalo despreza o comandante e pasta e faz o que bem entender durante toda a jornada. A voz e o pulso firme nas rédeas é o que vai determinar o tipo de cavalgada, explica, um pouco tarde, Mana.
  Campesina, égua tratante de oito anos, parecia que fazia de propósito. Acelerava nas trilhas de mata fechada, passando rente aos galhos maiores. Abaixado, tentando me equilibrar no alucinante galope, gritava ôôoo - ooou em vão... Boa dose de adrenalina! Ela só foi parar nas dunas, onde o terreno é mais pesado.
  Como anunciado, começou uma fina chuva, quando já estávamos aos pés do Morro das Aranhas. A trilha íngreme e pedregosa ficou perigosa e nossa guia achou por bem seguir para o outro lado das dunas, cheia de pequenos oásis, lagos formados pelo acúmulo de água das chuvas no lençol freático da região. Foi um banho refrescante aos suados cavalos, que já nos carregavam há mais de uma hora.
Roteiros para
todos os gostos

  É claro que também existem os cavalos mais mansos para crianças e pessoas que desejem curtir uma cavalgada em família, devagar e sem imprevistos. A Cabanha Santa Bárbara organiza roteiros originais de diferente duração e paisagens. Saindo da fazenda até as dunas (uma hora), até a praia (duas horas), até a Costa da Lagoa (seis horas) e as grandes cavalgadas com duração de um a dois dias, em direção ao Sul de Florianópolis. Um dos que vale à pena é o passeio da lua cheia, em que o grupo cavalga até a praia e assiste a imensa lua nascer atrás da Ilha das Aranhas.
  O espírito aqui é de deixar o pessoal bem à vontade, com direito a churrasco, fogo no chão (no inverno), lua cheia..., explica o gaúcho Raul Malhão, gerente do haras. Mas ressalta as regras de segurança: não correr em lugares onde não é permitido, não ultrapassar nas trilhas, respeitar o cavalo e aos demais do grupo e principalmente seguir as instruções do guia. Na terceira advertência, o guia está autorizado a retirar o freio do cavalo, deixando o montador sem controle, em seguida o puxa pelo cabresto até o final do percurso.

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