Rio - A medalha de ouro por equipes no Pan era tudo o que os cavaleiros da equipe brasileira, em especial Rodrigo Pessoa e Bernardo Alves, queriam para dar o troco nos desafetos, após os muitos problemas que tiveram durante a preparação. Uma desavença entre a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) e vários cavaleiros brasileiros que discordaram dos critérios de seleção, em especial Vitor Alves Teixeira e Luiz Francisco de Azevedo, se transformou em uma batalha jurídica que chegou a deixar o time do Brasil oficialmente com apenas um dos integrantes que competiram na sexta-feira.
Bernardo colocou a diplomacia mineira de lado ao falar do assunto. ''O que mais me deixou chateado nisso tudo é saber que no Brasil somos considerados estrangeiros por treinarmos na Europa. Quero deixar claro que é uma emoção enorme representar o País e que fico feliz que todo o nosso trabalho lá fora tenha tido resultados aqui'', afirmou o cavaleiro, sem esquecer que César Almeida, o único dos ginetes da equipe que salta no Brasil, também teve um papel fundamental na conquista do ouro.
Rodrigo, que lutou pela inclusão de Pedro Veniss na equipe nacional, também usou a vitória para um desabafo. ''A resposta está aí: a gente conseguiu provar que o nosso objetivo era montar um time para ganhar. Essas confusões jurídicas atrapalharam muito a preparação nos últimos meses e espero que tudo o que aconteceu nos sirva de lição para que a gente aprenda e não cometa mais os mesmos erros no futuro.''
Para o cavaleiro, é fundamental que os problemas na seleção dos cavaleiros não voltem a acontecer na preparação para a Olimpíada, no ano que vem, ou as chances de medalhas do Brasil podem ser seriamente comprometidas.
O técnico Nelson Pessoa foi mais longe. Disse que o ouro no Pan e a vaga olímpica mostraram que, assim como em outros esportes como o futebol, a inclusão dos atletas que atuam no exterior não deve ser desprezada. ''Espero que a nossa vitória tenha servido para provar que no hipismo se ganha na pista e não no tribunal.''
César Almeida também aproveitou para passar a mensagem de que o sonho de representar o País em competições internacionais é possível também para quem trabalha no Brasil e tem poucas oportunidades de competir na Europa, como ele. ''Espero que esta vitória sirva de estímulo para os cavaleiros que trabalham aqui. A medalha vai ser muito importante para todos que atuam dentro do país e tem poucas oportunidades.'' (A.E.)

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