Cavalca & Verona, de São Miguel do Iguaçu, e Foz/Sulamericana, de Foz do Iguaçu, vão ter que jogar novamente para saber quem será o campeão estadual de futsal. O Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paranaense de Futebol de Salão reuniu-se até a madrugada de ontem e decidiu que haverá nova partida, anulando a decisão do campeonato. Por seis votos a cinco, com voto de minerva do Presidente do TJD, José Cadilhe de Oliveira, o Tribunal entendeu que houve erro de direito na interpretação do segundo árbitro do jogo, José Élvio Torres Berg,que validou dois gols, que no entender dos auditores não aconteceram.
A polêmica se deu na disputa da quarta e última partida da decisão, em jogo disputado no dia 21 de novembro no Ginásio Joelson Marcelino, em São Miguel do Iguaçu. O jogo havia acabado em 7 a 6 para o Cavalca.
Os advogados do Cavalca, Paulo Schimidt e Alexandre Quadros pediram a nulidade total das provas que Foz levou para o Tribunal. O advogado do Foz, Marcelo Ribeiro, levou a fita do jogo em que mostrou as imagens de que a bola não teria entrado em nenhum dos dois lances polêmicos. Os auditores do Tribunal entenderam que as fitas deveriam ser acatadas, uma vez que toda a comunidade já a havia assistido várias vezes.
Para o presidente do tribunal, José Cadilhe de Oliveira, que deu o voto minerva a favor da realização de uma nova partida, a decisão é histórica. ‘‘Quebramos um tabu na justiça desportiva, pois entendemos que houve erro de direito na ação dos árbitros validando dois gols que não aconteceram’’, disse. Ele se baseou no artigo 108 do Código Brasileiro de Disciplina Esportiva, que determina a anulação de uma partida ou resultado, desde que haja erro de direito.
Segundo um dos advogados do Cavalca, Alexandre Quadros, a decisão do Tribunal pode abrir precedentes para outras decisões polêmicas no mundo esportivo. Para ele, voltar atrás no resultado, invalidando a decisão do árbitro e da súmula é muito arriscado. ‘‘E como fica a torcida que comemorou o título?’’, indagou. ‘‘Afinal se entregou o troféu e estabeleceu um campeão esta situação fática não tem mais como voltar’’, disse.
Já o advogado do Foz, Marcelo Ribeiro, disse que a decisão serviu para modernizar o processo desportivo no país. ‘‘Cada vez mais se reforça a tese de que as regras do desporto precisam de uma evolução e não podem ficar presas a uma decisão absoluta do árbitro’’, disse. ‘‘Ele (o árbitro) é soberano, mas quando o erro é acintoso é passível de uma intervenção do Tribunal’’, completou.

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