Agência Folha
De Maranello, na Itália
Sob desconfiança, falando com cautela e evitando promessas, a Ferrari lançou ontem, em Maranello (norte da Itália), seu carro para o próximo Mundial de Fórmula 1. Durante todo o evento, a tônica dos discursos foi explicar os motivos para o atraso de dez dias na programação, causado por problemas na aerodinâmica e no novo motor. Pilotos e dirigentes procuravam mostrar otimismo. Mas nada muito exagerado.
A primeira surpresa do dia foi o nome do carro: F1-2000. ‘‘Buscando resgatar a tradição, que tínhamos até 1993, de juntar o tipo do modelo ao seu ano de fabricação , explicou o francês Jean Todt, diretor esportivo do time. Na Itália, dava-se como certo que o carro se chamaria F320. Exatamente às 10h38 (7h38 de Brasília), microfone em punho, Todt convocou os pilotos Michael Schumacher, Rubens Barrichello e Luca Badoer – piloto de testes – para puxarem o pano vermelho que cobria a Ferrari. Nesse momento, a segunda – e última – surpresa. O novo carro tem um bico extremamente fino em comparação ao do F399, modelo do ano passado. ‘‘O F1-2000 traz uma aerodinâmica mais refinada. É o primeiro carro que construímos usando 100% o nosso novo túnel de vento’’, afirmou Ross Brawn, engenheiro e diretor técnico ferrarista.
O brasileiro Rubens Barrichello, participando pela primeira vez do lançamento de uma Ferrari, foi apresentado por Todt como ‘‘um piloto de 27 anos, mas com muita experiência na F-1’’. ‘‘Estamos muito contentes em recebê-lo’’, completou o francês. ‘‘Rubens já vem fazendo um ótimo trabalho com a gente’’.
A Ferrari foi a última grande equipe a apresentar seu carro para o campeonato, que começa em 33 dias, com o GP da Austrália. Até agora, o F1-2000 não foi para a pista. O primeiro teste acontecerá só amanhã, com Schumacher, em Fiorano. hoje, os mecânicos se apressarão para terminar o carro – o modelo mostrado ontem ainda estava incompleto.
Em todas as entrevistas, uma pergunta era recorrente: ‘‘Haverá tempo de fazer do novo carro uma máquina competitiva? ‘‘Sim. Estamos passando por uma situação idêntica à do ano passado, quando apresentamos o carro no dia 29 de janeiro (37 dias antes da Austrália)’’, disse Todt.
Schumacher repetiu o discurso do chefe. ‘‘Honestamente, eu estava preocupado. Mas tive uma conversa com o Jean Todt, e ele me disse que vamos ter um tempo de trabalho igual ao de 1999’’. O alemão afirmou que só foi ver o carro pela primeira vez ontem. ‘‘Mas ainda estava sendo montado. Hoje (Ontem) de manhã, eu e o Rubens olhamos o carro já pronto e dissemos ‘‘Uau, vai ser bom, vai ser rápido.’’
Para Barrichello, o atraso no cronograma não é preocupante. ‘‘A Ferrari é muito bem organizada para que a gente possa resolver todos os problemas rapidamente. Não sabemos nem se os problemas vão existir, mas espero que sejam pequenos’’, declarou.
Para Luca di Montezemolo, presidente da equipe, a situação é natural. ‘‘Nossa vida é feita de entusiasmo e de grande pressão da imprensa. Graças a Deus. Se não fosse assim, não seria a Ferrari.’’Com dez dias de atraso, a equipe italiana lançou ontem, em Maranello, o novo carro para a temporada 2000
- Gabriel Bouys/AFPTIME COMPLETOO alemão Michael Schumacher, o brasileiro Rubens Barrichello e o italiano Luca Badoer – piloto de testes – junto ao novo F-1-2000, lançado ontem