São Paulo - Quem olha para a franzina catarinense Márcia Narloch (34 anos, 1,53 m e 43 quilos) nem imagina que ela começou a correr aos 13 anos porque era chamada de ''bujão de gás'' e ''gorducha'' pelos amigos na escola. A pequena corredora não só 'secou' de lá para cá como tornou-se uma fundista de alto nível.
Tanto que quebrou um tabu, tornando-se em São Domingos a primeira brasileira a ganhar medalha de ouro na maratona de um Pan-Americano.
''Estou muito feliz por ter cumprido meu objetivo de ganhar uma medalha no Pan. Usei toda a minha experiência de maratonas e soube dosar a prova. Comecei num ritmo mais fraco e depois cresci'', disse ontem a atleta, numa entrevista coletiva da qual participaram outros atletas patrocinados pela Mizuno que estiveram em São Domingos: Vanderlei Cordeiro de Lima (também ouro na maratona), Marílson dos Santos (prata nos 10.000m e bronze nos 5.000m), Elisângela Adriano (prata no arremesso do peso), Geisa Coutinho e Maria Laura Almirão (bronze no revezamento 4x400m).
O tempo de 2h39min54s não deixou Márcia Narloch muito feliz. Mas em razão do forte calor e da alta umidade em São Domingos, ela admite que foi uma heroína. ''Foi a prova mais dura da minha vida. Fiz uma corrida de resistência, e não para tempo. Fiz o melhor que pude naquele calorzão.''
Para participar do Pan, Márcia teve de abdicar do Mundial de Paris, que começa no dia 23. ''Não dá para correr duas maratonas seguidas, porque o desgaste é grande.''
Marílson e Vanderlei também tiveram de optar. ''Fui para o meu bicampeonato no Pan. Sei que o Mundial é mais importante, mas o retorno da mídia é muito maior no Pan'', explica Vanderlei.
Marílson ficou tão animado com o resultado nos 10.000m que vai começar a treinar para a maratona. ''Nunca corri prova longa e acho que chegou a minha hora. Tenho facilidade.''
Surpresas com a medalha de bronze obtida no revezamento 4x400m, Maria Laura Almirão e Geisa Coutinho comemoram. ''Achávamos que nem pódio daria e nos superamos. O bronze foi igual ao ouro para a gente'', disseram.
Elisângela Adriano, do arremesso de peso, estava satisfeita. ''Cheguei no Pan como a quinta melhor e fui prata'', disse.

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