Catarianos investirão US$ 3 bilhões
Pela primeira vez na história, um país de maioria árabe vai receber uma Copa do Mundo Os membros do colégio eleitoral da Fifa se renderam ao projeto audacioso do Catar e decidiram dar ao país o Mundial de 2022 ''Os árabes esperaram um longo tempo esta Copa'', afirmou o presidente da Fifa, Joseph Blatter, na cerimônia de anúncio do escolhido
O projeto foi apresentado à entidade máxima do futebol em maio pelo xeique Mohammed Bin Hamad Bin Khalifa Al Thani, filho do Emir e presidente do comitê ''Qatar 2022'' No mesmo mês, a reportagem da FOLHA esteve no comitê, em Doha, e viu de perto o projeto
Disposto a se consolidar como grande organizador de eventos esportivos, o Catar entrou pesado na briga e não mediu esforços para ser o escolhido Uma injeção de 3 bilhões de dólares (cerca de R$ 5,1 bilhões) proporcionará a construção de estádios ultramodernos, inovadores, cheios de tecnologia e conforto
O país é dono da segunda maior reserva de gás natural liquefeito do mundo e possui uma reserva de 3,3 bilhões de barris de petróleo, com estimativa de exploração por mais 25 anos Esses petrodólares que garantirão a construção e reforma dos estádios
Como é pequeno territorialmente - são 11,5 mil quilômetros quadrados, o que equivale à metade do tamanho de Sergipe -, as distâncias entre as sedes serão curtas Doha, a capital, é dona de 80% dos 1,5 milhõs de habitantes do país
Serão 12 estádios em sete cidades, todos climatizados, já que o clima é muito quente no país Serão nove novas praças esportivas Um deles pertence ao Al Khor, situado a 50 quilômetros de Doha e tem a forma de uma concha do mar Todos os lugares serão cobertos e alguns têm vistas deslumbrantes sobre o Mar da Arábia Os torcedores poderão chegar de táxi aquático, trem e carro
Outro bastante inovador é o Al Shamal, inspirado em um ''dhow'', uma embarcação à vela tradicional dos pescadores do Golfo Pérsico
Três estádios serão reformados, como os do Al Rayyan e do Al Gharafa, clubes dirigidos respectivamente pelos brasileiros Paulo Autuori e Caio Júnior As paredes externas do primeiro receberão um mega telão ''Será o maior telão do mundo'', disse, na época, o chefe da comunicação da Associação de Futebol do Catar (QFA), Sadeq Bader, à FOLHA Ontem, em Zurique, logo após o anúncio, ele não se cabia de alegria ''Trabalhamos muito para isso'', disse
Caio Junior, atual campeão da Liga do Catar, comemorou a escolha do país ''O Catar mereceu porque apresentou um projeto fantástico e mostrou que tem condições de colocá-lo em prática'', afirmou
A ideia do comitê ''Qatar 2022'' é retirar as arquibancadas superiores de alguns estádios e doá-las para países em desenvolvimento, reduzindo a capacidade de 45 mil torcedores, em média, durante a Copa, para 25 mil (Thiago Mossini/Reportagem Local)





