Catar caminha para virar meca do handebol
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
Depois de ter virado uma das mecas do futebol, o Catar pode se transformar também num novo paraíso para os atletas de handebol. Quem dá o recado é o armador-esquerdo da Unopar/FEL/Sercomtel, Claudiomiro Costa, o Mão de Onça, 29 anos. De volta à equipe de Londrina desde agosto, ele esteve no primeiro semestre deste ano em Doha, capital do Catar, defendendo o Al Ahli.
O time joga na Primeira Divisão de handebol do País, que conta com 12 clubes, todos eles de Doha - e seis têm uma estrutura profissional como a dos quatro grandes do Brasil: Metodista, Pinheiros, Unopar e São Caetano.
O incrível é pensar que Doha - onde estão craques do futebol como Valdivia (ex-Palmeiras) e Felipe (ex-Flamengo e Vasco) - conta com 12 times de handebol na liga principal, e tem uma população de apenas 479 mil habitantes, de acordo com o último censo de 2005.
O handebol é algo recente para o País, segundo o armador. A profissionalização das equipes ocorreu nos últimos seis anos quando chegou a Doha um técnico dinamarquês para comandar o Saad, principal time do país. ''Depois dele chegaram técnicos de outros países e foram levando atletas croatas, dinamarqueses e tunisianos. Agora estão descobrindo os brasileiros'', relatou Mão de Onça, que era treinado por um egípcio e atuava ao lado de dois tunisianos.
O jogador, que é de Paraíso do Norte (33 km ao sul de Paranavaí), conta que o Catar apareceu em sua vida em junho de 2007, quando foi ao Egito disputar o Mundial de Clubes (a Metodista, seu ex-clube, havia sido campeã pan-americana um mês antes). ''Fui bem lá e o técnico do Al Ahli me viu jogando, e quis me contratar. Terminada a Liga Nacional, em dezembro, me mudei para o Catar. Agora no final desse ano, poderei fazer o mesmo, só que talvez vá para Dubai (capital do Bahrein), que também está atrás de jogadores de handebol'', informou.
Pelo Al Ahli, Mão foi vice-campeão do Catar e campeão da Copa Amir Cup, que reúne os países do Golfo Pérsico. Seu contrato foi de apenas seis meses. ''Não foi muito tempo, mas valeu a pena. Financeiramente o que eles pagam é fora do normal, porque lá corre muito dinheiro. É só você pensar que tudo na cidade é feito dentro de ar-condicionado. Eu ganhava lá por mês o que ganho aqui em um ano em Londrina'', comparou.
O salário é elevado porque os estrageiros do handebol, segundo ele, são tratados como profissionais e com as mesmas mordomias que têm os jogadores de futebol. ''O Al Ahli é um clube que também tem seu time de futebol, com 20 brasileiros, e de vôlei, com dois brasileiros. E todos éramos tratados de forma igual, com carro e casa de graça e muita atenção'', conta.


