Doha, Catar - Estádios ultramodernos, inovadores, cheios de tecnologia e conforto. Curtas distâncias entre um e outro, paisagens encantadoras e uma injeção de US$ 4 bilhões (cerca de R$ 8 bilhões) para fazer tudo isso. Disposto a se consolidar como grande organizador de eventos esportivos, o Catar entrou pesado na briga para receber a Copa do Mundo de 2022 e não medirá esforços para ser o escolhido pela Fifa, em dezembro. A FOLHA esteve no comitê ''Qatar 2022'' e viu de perto o projeto audacioso.
O país é dono da segunda maior reserva de gás natural liquefeito do mundo e possui uma reserva de 3,3 bilhões de barris de petróleo, com estimativa de exploração por mais 25 anos. Esses petrodólares que garantirão a construção e reforma dos estádios que prometem ser revolucionários.
O projeto do país foi apresentado à Fifa no mês passado, em Zurique, sede da entidade, pelo sheikh Mohammed Bin Hamad Bin Khalifa Al Thani, filho do Emir e presidente do comitê ''Qatar 2022''. Rússia, Austrália, Inglaterra, Japão, Estados Unidos, Espanha/Portugal e Holanda/Bélgica estão na briga para sediar tanto o Mundial de 2018 quanto o de 2022; já Coreia do Sul e o próprio Catar disputam apenas o segundo.
Ele apresentou cinco modelos de estádios. O do Al Khor, situado a 50 quilômetros de Doha, tem a forma de uma concha do mar. Todos os lugares serão cobertos e alguns têm vistas deslumbrantes sobre o Mar da Arábia. Os torcedores poderão chegar de táxi aquático, trem e carro.
Outro bastante inovador é o Al Shamal, inspirado em um ''dhow'', uma embarcação à vela tradicional dos pescadores do Golfo Pérsico. Também é possível chegar a ele por via aquática e o acesso de quem mora no Bahrein será muito fácil.
Outros estádios do país, o Al Rayyan e Al Gharafa, clubes dirigidos respectivamente pelos brasileiros Paulo Autuori e Caio Júnior, serão modificados. As paredes externas do primeiro receberão um mega telão, que envolverá todo o estádio, com imagens de jogos, notícias e propagandas. ''Será o maior telão do mundo'', compara o chefe da comunicação da Associação de Futebol do Catar (QFA), Sadeq Bader. O segundo receberá uma fechada colorida, uma espécie de laço de amizade.
Os estádios serão ampliados e, após a Copa, a ideia é retirar as arquibancadas superiores e doá-las para países em desenvolvimento. Assim, as praças esportivas teriam uma capacidade média de 45 mil torcedores durante a Copa e, depois, com a retirada da parte superior, cairiam para 25 mil.

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