Castro - Na região dos Campos Gerais, que abriga a maior concentração de holandeses no Paraná, a final da Copa do Mundo foi assistida com muita festa e expectativa pelos moradores da Castrolanda, distrito que leva o nome da cooperativa agropecuária local e que lembra uma típica pequena cidade daquele país. O cenário escolhido pela torcida não poderia ser mais apropriado, o Café de Molen, restaurante localizado na base do moinho de vento erguido em homenagem aos primeiros imigrantes vindos dos Países Baixos a se estabelecerem na região - imigração que no ano que vem completa um século.
''Nossa comunidade é muito tranquila e precisa de um agito de vez em quando. A Copa está sendo muito boa por isso, porque o pessoal tem vindo mesmo para torcer'', conta Jenny Petter, que além de se dedicar à agropecuária, atividade típica de imigrantes e descendentes, trabalha com turismo. Vestida com as cores nacionais, ela apostava em uma pequena superstição para ajudar a Holanda a vencer. ''Como deu certo nos outros jogos, vim usando o mesmo chapéu e os mesmos enfeites, para dar sorte'', contava, destacando que o jogo certamente seria bastante difícil.
Uniformizada com a cor tradicional da seleção holandesa, o laranja, a torcida local passou sufoco com o domínio inicial espanhol. Tanto que o primeiro lance de vibração só veio quando um atleta da Fúria recebeu cartão amarelo. Mas bastou a Laranja Mecânica equilibrar o jogo para que a alegria e a esperança voltassem.
Otimismo sem exageros que acompanhava Eduardo Greenwold e os irmãos Hendrik e Willem Stijker, integrantes do grupo de ''Klombdance'' - dança com os tradicionais tamancos de madeira holandeses - local. ''Vai ser bem difícil'', apostava Eduardo. '' Mas vamos ganhar'', afirmava Hendrik. ''E por dois a zero'', completava Willem, que gostaria mesmo é que o Brasil estivesse na grande final. Mesmo assim, os jovens descendentes esperavam sorte melhor que a de seus país, que lamentaram o vice-campeonato nas Copas de 1974 e 78.
No segundo tempo, com a Holanda tomando mais a iniciativa, o clima de festa aumentava a cada chance desperdiçada. Para a torcida, o gol parecia ser uma questão de tempo. E quase veio no gol perdido por Robben, que levou os ''laranjas'' paranaenses à loucura. A emoção só aumentava na prorrogação, ainda mais depois de boas chances perdidas pelas duas seleções. Mas o gol de Iniesta acabou com a aguardada festa, deixando para os holandeses-brasileiros a mesma frustração das duas finais dos anos 70. E a esperança de ver a seleção laranja de perto, em 2014. ''Eles jogaram bem, mas não deu. Agora é esperar a próxima, aqui no Brasil'', lamentou Jenny, frustrada, mas orgulhosa da Laranja.

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