Castrolanda tem dupla comemoração
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terça-feira, 07 de julho de 1998
Giovani Ferreira 
Brasileiros, imigrantes e descendentes de holandeses que formam a Colônia Castrolanda, no município de Castro (Centro-Sul do Estado), torceram, sofreram e comemoraram juntos a vitória do Brasil e a garra da seleção holandesa na semifinal da Copa do Mundo. Apesar de todos deixarem claro sua preferência, vestidos de laranja ou de verde e amarelo, para eles resultado o era o que menos importava.
Um grupo de aproximadamente 70 pessoas, entre imigrantes e descendentes de holandeses, reuniu-se para assistir ao jogo no Restaurante Vitorius, único existente na colônia, que estava inteiramente decorado com as cores das seleções brasileira e holandesa. Enquanto os mais velhos torciam para a Holanda, os jovens vestiam-se com cores que lembravam o Brasil.
O Brasil venceu, mas independente de quem terminasse vitorioso, todos tinham uma única certeza: a de comemorar. Se a festa não fosse pelo sangue holandês que corre em suas veias, seria pelo orgulho de morar ou ter nascido no país verde e amarelo, disse Geraldo Van de Beld, proprietário do restaurante onde o grupo reuniu-se para ver a partida, que mora há 45 anos no Brasil.
Durante todo o jogo gritos de Brasil e Holanda se alternavam, em meio ao sons de cornetas e apitos. Quando aconteceu o gol de Ronaldinho, a parte da torcida que acreditva na vitória holandesa ficou calada. Aos 30 minutos do segundo tempo, quando a partida já parecia estar definida em favor do Brasil, todos começavam a comemorar a classificação da seleção canarinho.
A explosão da parte dos torcedores que torciam para a seleção holandesa aconteceu com o gol de Clever, no final do segundo tempo. A partir daí os torcedores vestidos de laranja não pararam mais de gritar e comemorar a possibilidade da Holanda se classificar. Durante a prorrogação a expectativa tomou conta de todos os torcedores do Brasil e da Holanda, que sofreram os 30 minutos.
Nos pênaltis a emoção cresceu e tomou conta de todos. Alguns não conseguiram segurar o choro quando Tafarell segurou o primeiro pênalti. Quando o Brasil venceu, com Tafarell se consagrando novamente como goleiro da Seleção Brasileira, a alegria superou a timidez dos imigrantes e descendentes holandeses, que comemoraram como nunca a vitória do Brasil.
No final, como já era previsto, todos fizeram uma só festa, comemorando a classificação do Brasil e a garra da seleção holandesa, que lutou até o final da partida. Em Castrolanda a festa seguiu noite adentro, num clima de confraternização, onde imigrantes e descendentes, holandeses e brasileiros saíram vitoriosos.


