Caso Vialle vai hoje a julgamento
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quarta-feira, 19 de agosto de 1998
Marcos Freitas 
Acontece hoje o julgamento final do caso de suborno no Campeonato Paranaense de 1998. Vão a julgamento na sede da Federação Paranaense de Futebol, às 18h30, o ex-vice-presidente de futebol do Coritiba, João Carlos Vialle (que foi penalizado em 180 dias de suspensão pela Primeira Comissão do TJD), o ex-auxiliar técnico do Coritiba, Waldonedo Xavier (penalizado em 180 dias de suspensão) e do ex-preparador de goleiros do Iraty e Coritiba, Adilson Cocconi, que recebeu a pena de eliminação do futebol.
Houve ainda recurso da procuradoria do TJD no tocante ao caso de Vialle, pedindo um aumento da pena. Os denunciados, por sua vez, recorreram pedindo penas mais brandas ou absolvição. Há ainda o recurso da procuradoria porque foram rejeitadas as denúncias contra o goleiro do Iraty, Roberto França e o presidente do Iraty, Sergio Malucelli, que voltam a fazer parte do processo.
A defesa de Waldonedo será feita pelo advogado Osmann de Oliveira. João Carlos Vialle será defendido por Julio Militão. Adilson Cocconi terá como advogado Luis Antonio Teixeira. O advogado Marcos Malluceli defenderá Sergio Malluceli e Roberto França será defendido por Marcelo Ribeiro.
O caso veio à tona pouco antes do fim do Campeonato Paranaense, com a denúncia do goleiro Roberto, do Iraty, que afirmou ter recebido proposta de suborno por parte de dirigentes do Coritiba. As conversas foram gravadas e a denúncia foi feita ao Tribunal de Justiça Desportiva e à FPF, que constituiu uma Comissão de Inquérito para apurar o caso. A Comissão trabalhou durante pouco mais de 15 dias e entregou há pouco mais de um mês, ao presidente do TJD, Ítalo Tanaka Júnior, a finalização dos trabalhos.
O TJD do Paraná, que faz hoje o seu segundo julgamento, foi o primeiro do país a se adequar à Lei Pelé. Ele existe desde junho e tem hoje uma prova de fogo que demonstrará até que ponto está mesmo independente, como pede a nova legislação.
Criado na década de 40, o Tribunal de Justiça Desportiva nasceu para dar maior segurança à comunidade desportiva dos estados e do país. Submetido diretamente ao comando das Federações e Confederação Brasileira de Futebol, acabaram sucumbindo às vontades políticas dos dirigentes. A Lei Pelé, aprovada este ano, tenta dar mais independência a estes tribunais.
A Lei estabelece no seu artigo 52, autonomia e independência às entidades de administração do desporto de cada sistema, ncluindo-se os Tribunais de Justiça Desportiva. O TJD do Paraná, obedecendo à nova lei, é composto por onze membros, a Lei Pelé faculta de sete a onze membros. O novo tribunal da CBF é composto por sete membros.
O TJD conta ainda com seis procuradores. A presidência da FPF indicou Clovis Galvão, Alex Danielevicz e Aldo Silva Júnior. O presidente do TJD indicou Carlos Lesskiu, Carlos Augusto Marinoni e Ana Luza Caron. Os procuradores exercem função semelhante a um promotor de justiça. De posse da súmula das partidas, eles oferecem denúncia aos atletas ou dirigentes que praticaram alguma infração desportiva.
O Código Brasileiro Disciplinar de Futebol é a lei que regula a Justiça Desportiva. O CBDF já está sofrendo um processo de reformulação. A CBF e o Ministério do Desporto estão estudando as mudanças.
O trabalho dos membros do TJD é voluntário. Ninguém recebe nada para trabalhar. É uma espécie de prestação de serviço à comunidade esportiva, diz o presidente do TJD, Ítalo Tanaka Júnior. Segundo ele os Tribunais vão se reformular com a profissnalização do futebol, e haverá mudança de conceitos e métodos.
Ítalo é o atual presidente do TJD. Nasceu em Cascavel em 24 de dezembro de 1962, com 15 dias de vida já morava em Curitiba. Formado pela Universidade Federal do Paraná na cadeira de direiro e Comércio Exterior pela Faculdade Positivo. Atualmente ele é professor da UFPR e procurador do município de Curitiba.
Os auditores têm mandato de dois anos, a lei faculta até quatro anos. Ele só é destituído do cargo se cometer algum ato ílicito ou não comparecer as audiências.


