Caso Tiffany abre debate no esporte nacional
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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018
Matheus Camargo<br>Reportagem Local 

Foram 247 pontos distribuídos em 44 sets na Superliga feminina até antes da partida de sexta-feira (23) à noite do Vôlei Bauru contra o Renata Valinhos/Country. A melhor média de pontos no ranking e a atacante que mais recebe bolas na competição. Tiffany chega ao fim da primeira fase do principal torneio de vôlei nacional como um dos destaques. Mas não só pelos ótimos números, também por ser a primeira atleta transexual a disputar o torneio.
Tiffany não é a principal pontuadora da liga, nem sequer sua equipe está tão bem posicionada na tabela até sexta, o Bauru ocupava a oitava posição , porém, a participação da oposta gerou discussões em diversas esferas, tanto sobre questões sociais quanto biológicas.
Entre os nomes conhecidos do vôlei que já opinaram sobre a participação da camisa 10 da equipe paulista na liga, está a ex-jogadora da seleção brasileira Ana Paula Henkel, medalhista de bronze em Atlanta-1996, que enviou uma carta aberta ao COI (Comitê Olímpico Internacional) em janeiro com várias críticas.
"É justo simplesmente fingir que estas inegáveis diferenças biológicas não existem em nome de uma agenda político-ideológica que servirá para cercear um espaço tão duramente conquistado pelas mulheres ao longo de séculos? Como aceitar homens 'biológicos' em competições como lutas, batendo impiedosamente em mulheres e ainda ganhando dinheiro, fama e medalhas por isso? Será que todos enlouquecemos ao permitir tamanho descalabro?", escreveu.
Outras importantes jogadores opinaram sobre o caso de Tiffany, contra e a favor da participação da atleta. Sheila, que foi bicampeã olímpica com a seleção brasileira, afirmou em sua conta pessoal no Instagram que mudou de ideia quanto à participação da oposta, já que se deparou com opiniões médicas que mostravam vantagens físicas para a atleta do Bauru. Da mesma geração bicampeã de Sheila, a líbero Fabi, do Sesc-RJ, e a central Thaísa, do Hinode Barueri, são favoráveis à inclusão de Tiffany na competição. A jogadora da equipe carioca chegou a revelar após um jogo contra a atleta que "não viu nada de anormal". A central da equipe paulista declarou apoio à colega de profissão após sua equipe vencer a rival.
A principal jogadora do voleibol brasileiro atualmente é Tandara, do Vôlei Nestlé Osasco, maior pontuadora em números gerais da Superliga e que chegou a ter o recorde de mais pontos em uma única partida quebrado pela atleta do Bauru. Tiffany anotou 39 pontos em partida contra o Dentil/Praia Clube-MG. Posteriormente, Tandara igualou o número da atleta do Bauru na vitória por 3 a 2 sobre o Camponesa/Minas. A campeã olímpica em 2012 também já deu declarações contrárias à inclusão da oposta e repetiu um discurso recorrente de que "não é homofobia, é fisiologia".
"Esse é o ponto de maior discussão e é aí que mora a dúvida, se ela pode participar ou não mesmo tendo os níveis de testosterona comparáveis aos das mulheres, que é o parâmetro usado pela liga e pela FIVB (Federação Internacional de Vôlei). O que se discute é o quanto ela se beneficiou com a formação masculina até essa idade: até os 28 anos, ela teve os níveis muito altos e isso possibilitou a maior formação óssea e muscular dela. Nesses últimos quatro anos é que ela passou pela redução hormonal", apontou o médico Paulo Puccinelli, da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo.


