Caso Renato pode ir à Justiça Comum
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terça-feira, 28 de julho de 1998
Edmundo Inagaki 
O caso de falsidade ideológica envolvendo o jogador do Atlético Paranaense Cleonício dos Santos Silva, que se fez passar por Renato Albuquerque de Lima, pode extrapolar a esfera da Justiça Desportiva e acabar na Justiça Comum, por tratar-se de crime previsto no Código Penal (falsificação ou adulteração de documento público), sujeito a pena de reclusão (2 a 6 anos) e multa.
De acordo com o presidente do Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná, Ítalo Tanaka Júnior, assim que o processo for julgado pelo TJD será encaminhado ao Ministério Público. Se for comprovada a culpa do atleta, o próprio Código Brasileiro Disciplinar de Futebol (CBDF) determina que o inquérito seja remetido ao Ministério Público para que sejam tomadas todas as medidas cabíveis no caso.
Hoje, às 18 horas, na sede da Federação Paranaense de Futebol (FPF), o auditor José Carlos Faret e o procurador Carlos Leskiu, nomeados por Tanaka, darão início à fase de instrução do processo com o depoimento do presidente do Foz do Iguaçu, Oneldo Luis Obregon, que seria o clube de origem de Renato.
Os depoimentos do presidente em exercício do Atlético, Ademir Adur, que será substituído pelo vice-presidente do departamento jurídico do clube, Marcos Coelho, e de Cleonício dos Santos Silva, o Renato, foram transferidos, respectivamente, para amanhã e segunda-feira próxima. Orientado pelos advogados do clube, ontem o jogador mais uma vez não quis se pronunciar.
Foz do Iguaçu - Em entrevista por telefone, Obregon garantiu que não tinha conhecimento da verdadeira identidade do jogador. Para mim, o nome dele sempre foi Renato. No ano passado, o Bebeto (Carlos Alberto Santana, um ex-jogador de futebol que há vários anos trabalha com as categorias menores do Foz, onde também já foi treinador do júnior), trouxe uns 10 ou 11 jogadores do Rio de Janeiro e de Brasília para que pudéssemos disputar a Copa Foz do Iguaçu. E o Renato era um deles.
O dirigente afirmou que os documentos de Renato pareciam todos originais. Ele apresentou a certidão de nascimento, carteira de identidade, reservista, autorização dos pais, tudo direitinho, expedido pelo Estado do Rio de Janeiro. Como é que alguém poderia desconfiar de alguma coisa? Se for assim, quem é nos garante que o Ronaldinho, por exemplo, tem mesmo a idade que diz ter?
O presidente do TJD acredita que Cleonício tenha tirado a segunda via dos documentos (RG, CPF, etc) a partir da certidão de nascimento do verdadeiro Renato Albuquerque de Lima. Se isso ficar comprovado, certamente ele estará sujeito a pena criminal, além da medida desportiva. Mas vamos aguardar a chegada dos documentos solicitados à CBF, Federação Carioca e Paranaense para começarmos a elucidar a questão, diz Tanaka.
Arrependimento - A FPF divulgou ontem à tarde nota à imprensa descrevendo, com detalhes, como os documentos Renato deram entrada para formalização de registros amador e profissional.
No último dia 7 de julho, Renato enviou uma carta ao presidente da FPF, declarando-se culpado, pois estaria atuando de forma irregular, que não se chamava Ranato e que estava utilizando os documentos de um amigo. O atleta solicitava ao presidente Onaireves Rolim de Moura que o auxiliasse. Dizendo estar arrependido, argumentava que só teria agido desta forma por desespero. No dia seguinte, Moura baixou Ato da Presidência (nº 116/98), cassando o registro de Renato.


