Curitiba - A diretoria do Atlético finalmente fez um pronuciamento sobre a situação do atacante Dagoberto. O conselheiro jurídico Marcos Malucelli e o 2º vice-presidente do Conselho Deliberativo, Diogo Fadel Braz, explicaram ontem à tarde, em entrevista coletiva, os motivos que levaram o Furacão a levar o caso para a Justiça do Trabalho. E também comentaram que suspeitam de má-fé do jogador e de seus representantes.
Dagoberto tem vínculo com o Atlético até 23 de julho de 2007 e a multa rescisória cai para R$ 5,4 milhões a um ano do término do contrato. O clube e os representantes do jogador, a Massa Sports, vinham conversando sobre a prorrogação de contrato, mas o diálogo foi encerrado no dia 24 de maio.
''Fizemos sucessivas reuniões mas houve desgaste e passei a negociar sozinho com o Marcos Malaquias (um dos representantes da Massa Sports)'', lembrou Malucelli, que afirma ter oferecido várias propostas de prorrogação de contrato. A última delas prolongaria o vínculo de 23 de julho de 2007 para dezembro de 2008, com salário reajustado para R$ 30 mil, mais luvas no valor de R$ 300 mil, pagos em seis parcelas, e 25% dos direitos econômicos para o jogador no caso de venda nas 'janela' de agosto e 30% se a negociação fosse realizada em janeiro.
Ainda nessa proposta, a rescisão de contrato para times nacionais aumentaria para R$ 39 milhões e R$ 30 milhões para clube internacionais. ''Para minha surpresa, no dia 24 de maio, o Marcos Malaquias consultou os advogados dele e afirmou que o jogador só assinaria se a multa nacional fosse de R$ 5,4 milhões. Mas assim eles poderiam depositar esse valor e deixar o clube quando quisessem'', falou Malucelli. A justificativa da Massa Sports era de que isso seria uma forma de proteger o atleta, que poderia deixar o clube caso se sentisse prejudicado.
Malucelli garante ter esperado por um retorno da Massa Sports, que não entrou mais em contato para negociar novamente. Assim, o conselheiro suspeita que a empresa e o jogador estariam apenas deixando o tempo passar até o dia 23 de julho.
O Furacão então levou o caso para a Justiça do Trabalho, que determinou na quarta-feira o registro da prorrogação do contrato de Dagoberto por mais 250 dias junto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF). ''O contrato do Dagoberto previa que acidente de trabalho que incapacitasse o jogador teria os dias de inatividade acrescentados posteriormente'', observou o advogado Braz.
Por enquanto Dagoberto segue então com contrato prorrogado até maio de 2008, com multa rescisória de R$ 16 milhões se houver transferência para clube nacional e R$ 27 milhões para negociações internacionais. A primeira audiência sobre o caso acontece no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Curitiba no dia 10 de agosto.
A primeira decisão pode ser questionada e existem outras duas instância superiores em que o processo pode ser julgado. Os representantes da Massa Sports foram procurados ontem pela reportagem da Folha, mas não foram encontrados para comentar o episódio.

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