Caso Armstrong: Não tinha bomba pior
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quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
Um dos principais nomes de todos os tempos do ciclismo brasileiro, o araponguense Luciano Paglarini acredita que as consequências da comprovação de doping nas conquistas do americano Lance Armstrong serão irreparáveis para a modalidade. No fim de outubro, a Usada (agência antidoping dos Estados Unidos) confiscou os troféus dos sete títulos do ciclista no Tour de France, entre 1999 e 2005. Para piorar, a direção da principal competição de ciclismo do mundo decidiu não repassar as conquistas aos competidores subsequentes na classificação porque muitos também estiveram envolvidos em casos de doping.
"Não tinha bomba pior do que essa para explodir. Para o ciclismo, vai ser um tombo muito difícil de recuperar", resumiu Pagliarini, que competiu com Armstrong entre 2000 e 2007, na Europa.
De acordo com o ex-ciclista, o convívio com o doping na modalidade entre os atletas de alto rendimento é inevitável. Porém, a decisão final, sempre é do ciclista. "Ninguém te obriga a fazer nada. O doping, dentro do mundo do esporte, está lá. Se você quiser entrar, você tem escolhas à vontade, mas é uma escolha", apontou.
Competindo por 11 anos no circuito europeu, ele mesmo foi incentivado a entrar para o time dos fenômenos fabricados em laboratório. "Claro que já sugeriram. Chegou uma época em que pensei em entrar. Foi o pior momento da minha vida. Mas vi que não era o que queria para mim. Minhas conquistas sempre foram com o que Deus me deu. Existe muita oferta, mas é uma escolha que você faz", revelou.
As declarações de Pagliarini em parte endossam o discurso do ex-técnico da seleção brasileira de ciclismo de estrada, Antonio Carlos Silvestre. Em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo, ele afirmou que o uso de substâncias proibidas é comum entre os ciclistas. Após a exibição do depoimento, o técnico foi demitido pela Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC), que é presidida pelo londrinense José Luiz Vasconcellos desde 2005. "O Silvestre foi vítima do sistema. As confederações geralmente convocam suas equipes bem antes das competições, levam para pré-temporadas com treinos e testes de controle de dopagem. No Brasil não temos nada disso", afirmou Pagliarini.
A CBC não pretende investigar a denúncia do agora ex-treinador. "Não, não faremos nada em relação a isso", disse Vasconcellos, em entrevista ao site da ESPN.
Nova fase
Pagliarini encerrou a carreira há dois anos e meio e vive uma nova fase profissional. Ele usa a experiência dos anos de disputa no mais alto nível do ciclismo mundial para gerenciar a equipe de vendas nacional da marca de óculos esportivos Keeper. Ele usa as experiências do esporte para a nova função. "Vejo que minha força não é ter experiência na área, mas é estar sempre motivando. Esse lance de esportes, olimpíadas, competitividade, me trouxe uma liderança", afirmou. "E está super legal, com projetos ambiciosos para 2013. vamos mudar o mercado de ótica e o ciclismo me ajudou muito nisso", completou, empolgado.
Apesar da vida agora executiva, ele não consegue largar sua eterna companheira. Sempre que pode, pega a bicicleta e vai matar a saudade. "Hoje mesmo acordei ás 6 horas e fui dar uma pedalada. Andei 40 km", disse, garantindo que não sente falta da rotina de treinos de atleta. "Sinto falta das glórias, das conquistas, mas não da vida de atleta. Foram 18 anos abrindo mão de muitas coisas", afirmou.
Quando encerrou a carreira, em 2010, ele até tentou continuar no ciclismo, mas de forma administrativa. Chegou a assumir a direção técnica da CBC, mas ficou somente três meses no cargo. "Foi uma experiência que não foi feliz e preferi sair", observou.
Hoje, promove os próprios eventos de ciclismo. O próximo ocorrerá no dia 25 de novembro. É o Pagliarini Marathon Bike, com percursos de 25 km e 50 km. Hoje, ele fará o reconhecimento do trajeto. O objetivo é reunir amantes do ciclismo e em uma trilha com visual bonito e emoções. Informações pelo www.pagliarinimarathonbike.com.br.


