Venenosa, perigosa e que dá o bote nos inimigos. Não é só no nome que o Cascavel Esporte Clube se assemelha à cobra, mas também possuía as mesmas características do réptil. Isso mesmo, possuía, porque hoje a Cobra como ficou conhecido o time não morde mais ninguém.
A prova da inofensividade aconteceu no Campeonato Paranaense deste ano, quando o time amargou o penúltimo lugar e, consequentemente, o rebaixamento para a Segunda Divisão em 2004.
Mas não foi sempre assim. Na década de 80 o time fez jus ao nome e agiu como uma verdadeira cascavel. Fundado em 1979, com apenas um ano de existência o clube conseguiu seu maior triunfo. Em uma decisão muito polêmica, dividiu o título do Campeonato Paranaense com o Colorado, atual Paraná Clube. O jogo ficou marcado pelo famoso ''cai-cai''. O Cascavel ficou com seis jogadores em campo, no Estádio Durival Britto e Silva (Vila Capanema).
''Fizeram de tudo para não sermos campeões. A Federação Paranaense de Futebol fez uma fórmula para o título ficar na capital, mas quando se deram conta, nós já éramos no mínimo vice e iríamos disputar o brasileiro no ano seguinte'', reclama o atacante Sérgio Ramos, um dos destaques do time de 80 ao lado de Paulinho Cascavel.
A década de 80 foi muito boa para o time, que além da conquista do título estadual disputou a Taça de Prata em 82 e de 85 a 88 ficou entre os primeiros colocados do Campeoanto Paranaense. ''Na década de 90 começou a decadência. O time era fraco e fazia campanhas ridículas'', comenta o empresário Darci Casagrande, o Tchê, que foi diretor do clube durante dez anos.
A Cobra disputou o Estadual até 98. Naquele ano a equipe caiu para a Segunda Divisão e deixou de existir. Em seu lugar foi criada a Sociedade Esportiva Recreativa Cascavel (Sorec). Quatro anos depois o time voltou às atividades com o nome de Cascavel Clube Recreativo e conseguiu acesso à divisão de elite. Mas por pouco tempo. Em 2004, o Cascavel vai disputar novamente a Série A-1 e há muita indecisão sobre o futuro do time. Segundo rumores na cidade, Nelson Vetorelo, presidente campeão em 80, pode voltar a assumir o comando do Cascavel.
Apesar de não ter muita tradição no esporte, a cidade foi celeiro de craques. Jogadores como o volante Capitão (ex-São Paulo e atualmente na Portuguesa), o atacante Alcino (ex-São Paulo e Corinthians), o meia-atacante Jeancarlo (ex-Palmeiras), o lateral-direito Beletti, pentacampeão mundial com a seleção brasileira, e muitos outros deram os primeiros passos com a bola nos campos de Cascavel. ''O Capitão era gato (jogador que se diz mais novo do que realmente é). Quando ainda jogava aqui, ele dizia que tinha 17 anos, mas já tinha até dente de ouro'', brinca Tchê, pai do volante Preto, do Bahia, outro cascavelense.
O Cascavel ficou marcado também por uma marmelada protagonizada na última rodada do hexagonal final do Campeonato Paranaense de 87. O título estava entre Atlético e Pinheiros, os únicos que ainda tinham chances de serem campeões. Na rodada decisiva, o Furacão precisava vencer o Londrina e torcer por uma derrota do concorrente para o Cascavel, no Oeste.
Dirigentes de Pinheiros e Cascavel teriam acertado tudo para o time visitante sair do Ninho da Cobra campeão. Mas quando o jogo começou as coisas tomaram outro rumo. O árbitro R.G.dos S., logo no início da partida, expulsou o pinheirense Róberson, que antes de sair de campo disse que não adiantava o ''juiz roubar'', porque o jogo já estava acertado. Mais tarde, o meia Marinho, também do Pinheiros, foi expulso.
Para piorar, R. marcou um pênalti para o Cascavel. Como estava tudo acertado, os dirigentes da Cobra entraram em campo para reclamar e mandaram o cobrador, Marquinhos, chutar para fora. Com isso, o jogo terminou 0 a 0 e o Pinheiros foi campeão paranaense. Dias depois, um desentendimento entre diretores do Cascavel fez com que a trama fosse revelada.

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