Paulo Pegoraro
De Cascavel
A opção dos cascavelenses é clara pela Seleção do Paraguai, que disputa o Grupo B do Pré-Olímpico. No estádio, na abertura da competição na terça-feira, a torcida era total e foi intensa vibração no gol paraguaio. Sobraram vaias à Seleção Argentina quando empatou e em seus dois outros gols (o final foi 3 a 1). Nas ruas e em enquetes que têm sido feitas por emissoras de rádio, são maciças as manifestações de apoio aos ‘‘hermanos’’ da Nação Guarani, apesar da ‘‘chateação’’ com a derrota – ou melhor, com a vitória dos argentinos.
O designer gráfico Rolvi Martini parece resumir o sentimento geral: ‘‘Nem é tanto pelo Paraguai, mas sim porque a Argentina é nosso grande rival. Aliás, eles sempre criam caso com nossa seleção’’. Rolvi foi ao estádio na primeira rodada e ontem, quando o Paraguai venceu a Bolívia por 3 a 1. Ele só não se conforma com o fato dos paraguaios ‘‘terem praticamente se entregado para os argentinos, parando de jogar depois de terem feito o gol’’.
A principal motivação dos cascavelenses com os jogos do Pré-Olímpico na cidade está seguramente na disputa entre Paraguai e Argentina pelas vagas para a etapa final do torneio – há, claro, o interesse maior pelo que acontece no Grupo A, em Londrina, com a Seleção Brasileira. Mas, depois do confronto direto entre aquelas duas equipes, e do fato de ter sido na festa de abertura do Pré, o público ontem foi pouco significativo no Estádio Olímpico. E dificilmente voltará a ser considerável até o final da primeira fase em Cascavel.
Uma questão que intriga os cascavelenses é a capacidade do Olímpico. Na abertura, dois terços do estádio estavam ocupados, pela observação visual. A CBF havia colocado à venda 39 mil ingressos, o que pressupõe seja a capacidade do estádio. No entanto, o público ‘‘oficial’’ foi de 10,7 mil pagantes. Como só menores de 10 anos não pagavam, o entendimento que restou é de que talvez havia entre dez e quinze mil menores no estádio, ou então nele não cabem mais que umas 15 mil pessoas.
O movimento de pessoas ‘‘de fora’’ em Cascavel é considerável, desde a abertura do torneio, e, entre os estrangeiros, nas ruas e hospedados em hotéis, predominam pessoas do Paraguai – tão próximo da fronteira brasileira quanto a Argentina. Restaurantes, hotéis e outros estabelecimentos fizeram garçons e outros funcionários frequentar previamente cursinhos intensivos de espanhol, para que pelo menos possam entender os visitantes e se expressar no ‘‘portunhol’’.

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