CASCATA DO BORELLA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de agosto de 2001
Por Andrés Baró<BR>De Nova Pádua, RS 
A mão se fecha e segura a corda na região lombar: um, dois, três pulos na íngreme ladeira rochosa... Pronto! Estamos pendurados no ar, balançando nos primeiros metros de toda a descida negativa da Cascata do Borela. A água corre limpa, um denso, porém fino, fluxo no enorme degrau da verde floresta: são 70 metros de cachoeira que contrasta com o vale do Rio das Antas, em Nova Pádua, aproximadamente a 100 Km de Porto Alegre. Este rio é famoso por oferecer um dos trajetos de rafting mais radicais do Brasil.
O instrutor local, Tiago Pavianni, avisa: ''O Borella é o rapel mais radical da região, que vale muito pelo visual que proporciona, mas definitivamente não é para iniciantes''. Mesmo porque falta a experiência para se ter coragem... De cima, o vale é profundo, o rio se vê longe. A densa mata que nos envolve, deixa claro o quanto estamos isolados da zona urbana e toda sua infra-estrutura. Graças a Deus.
Feita a trabalhosa ancoragem que fixa as cordas na chapeleta (espécie de grampo) encravada na pedra, com seu devido backup de segurança amarrado a uma árvore esbelta, acredita-se de longas raízes, Johnny, irmão de Tiago, começa sua descida. Jou, nosso fotógrafo registra a saída, plugado por uma fita na beira do abismo. A função de Johnny é a de prestar segurança ao cascading (rapel em cachoeira) do grupo: Uma vez na base, final do rapel, ele acompanha a descida de cada um com as duas mãos na corda. Em caso de alguma emergência, estica a corda e o praticante da vez pára de descer. Se preciso, o instrutor de cima, no topo da cachoeira, desce pela corda reserva e assume o papel de psicólogo aos mais bloqueados... A descida recomeça numa boa. O oito, equipamento de descenso pelo qual passa a corda, assume a função de aliviar o peso do corpo e libera o praticante de qualquer esforço supremo. É através deste mecanismo que é possível o 'freio' acionado lá embaixo...
Um dos momentos mais intensos do cascading do Borella é a paradinha no meio do buraco - sim a parede tem uma curvatura para dentro e perdemos o contato dos pés por toda a descida. Fechando a mão de trás, paramos no ar, rodamos devagarinho e nos surpreendemos com este privilegiado ponto de observação: O vale alucinante ao fundo; ao lado, a água passa como um gigantesco chuveiro. Acompanhe as gotas até a base, é fatal: uma viagem que dá certa tonteira e arrepios na barriga... Recomece a descida aos trancos, abra a mão da corda e feche de repente com firmeza, e vibre com o efeito ioiô. A velocidade alcançada durante a mini queda-livre explora a elasticidade da corda. Depois dá para prender a corda novamente e simultaneamente jogar os pés para cima, realizando uma meia cambalhota, cruze os pés na corda e veja o mundo balançando de cabeça para baixo. Adrenalina!!
Já perto da base, a parede volta para os pés, fica positivo, e podemos saltar da direita para a esquerda, alcançando em cheio o fluxo de água, que por sinal é super gelada!!
A cascata do Borella consiste no cascading mais radical de Nova Pádua, seja pela sua altura, seja pela enorme extensão negativa (sem contato com a parede). Para os iniciantes e crianças existem outras opções menos agressivas que podem servir como primeiro passo do cascading.
EQUIPAMENTOS PARA O CASCADING
Cadeirinha (ou Bouldrier)
Freio oito
Mosquetão
Roupa de neoprene
Capacete
Luvas
Calçado com solado antiderrapante.
Canivete
SERVIÇO
Aventure-se na Serra Gaúcha. Informações: Mad River Rafting e Rapel, (0xx54] 229-3611, www.madriver.com.br, Nova Pádua, RS


