Casal aventureiro
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quarta-feira, 02 de novembro de 2011
João Fortes <br> Reportagem Local 
As próximas férias do casal Wilma e Birair de Barros devem ser inesquecíveis. Amanhã, eles embarcam rumo a Nova Zelândia, mas descansar não está, exatamente, nos planos.
O casal irá atravessar, de bicicleta, as duas ilhas que formam o país. Um percurso de 1.550 km, partindo da cidade de Queenstown no sul até Auckland no norte.
A viagem deve durar um mês. ''São vinte e dois dias pedalando e oito dias fazendo turismo convencional'', afirma o auditor fiscal.
Na bagagem, eles dizem levar o mínimo necessário para sobreviver, o que para ser carregado em duas bicicletas já não é pouco. Na de Wilma, o peso é de 20 kg e na do marido 35 kg. ''Barraca, roupas para frio e calor, ferramentas, barrinhas de cereal, frutas secas, comida em pó, muita água e um kit de primeiros socorros'', lista Wilma.
Se aventurar em outros países de bicicleta já virou um hobbie para o casal. Em 2005, Barros fez a primeira viagem internacional pedalando junto com um dos filhos, Giorgio. Foi de Londrina até a cidade de Chuy, no Uruguai, um trajeto de 2.200 km. Quando o marido ligou de lá para dizer que estava tudo bem, Wilma não teve dúvidas que na próxima iria junto. ''Eu pensei, estou aqui num domingo vendo televisão e ele lá. Me decidi que também iria na próxima'', conta a esposa.
Em 2006, os dois e outro filho, Willian, pedalaram até ViÀa del Mar, no Chile (3.300 km) e um ano depois o casal percorrereu 3.200 km de Buenos Aires a Ushuaia, na Argentina.
A última viagem foi em 2009, mil quilômetros de Antofagasta, no Chile, até Salta, na Argentina, passando pelo deserto do Atacama. ''É a sensação de superação que motiva a gente'', afirma Barros.
Das aventuras eles trazem lembranças marcantes. Como uma vez quando acamparam durante a viagem pela Argentina e ficaram bem próximos do perigo. ''A gente precisou passar quatro dias acampando na estrada, por causa do vento. E eu via muitos pedaços e ossos de guanacos por perto. Naqueles dias não falei nada pra ela, mas sabia que por ali haviam pulmas'', conta Barros.
O casal também lembra da hospitalidade do povo latinoamericano que por muitas vezes os acolheu quando precisavam. ''Teve um senhor que emprestou uma casa para a gente passar a noite. Ligou para a filha dele que entregou a chave na nossa mão'', lembra Wilma. ''O mais interessante dessas viagens não foram as paisagens, mas os seres humanos que encontramos. A gente não esperava tanto'', ressalta o auditor fiscal.
A viagem para a Nova Zelândia ainda nem começou e o casal já planeja novos desafios. O próximo destino pode ser o continente europeu. ''Em 2013, já pensamos em fazer Alemanha, França e o Caminho de Santiago, na Espanha. Só que dessa vez serão 60 dias viajando'', finaliza Barros.


