Casa de Santista - Tensão, nervosismo, coração na mão
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segunda-feira, 16 de dezembro de 2002
Karla Matida<br> Reportagem Local 
Lá pelas tantas do jogo de ontem, com o Corinthians vencendo o jogo por 2 a 1 (e precisando desesperadamente de um outro gol), o narrador Galvão Bueno, da Rede Globo, disparou ''imagina como é que deve estar o torcedor aí de casa''. Com o coração na mão, claro, como estava toda a família Cerqueira, unida quando o assunto é torcer para o londrinense Tubarão, mas totalmente dividida na final do Brasileirão. O pai, Gilmar, é santista. Os filhos, Gustavo e Gabriel, corintianos. Dilema mesmo só para a mãe, Rosilene, que, uma hora segurava a mão do marido, outra hora beijava os filhos.
''Mas a Folha está aqui para ver a reações do santista. Vocês, hoje, vão ser coadjuvantes'', avisava, brincando, Gilmar. E no final das contas, depois de tantos sofrimentos nos 90 minutos de jogo (mais os 18 anos desde o último campeonato conquistado pelo Santos), a estrela do pai acabou falando mais alto. Ufa!
O amor pelo ''Peixe'' veio de berço e passou como herança do pai de Gilmar, que não por acaso tem esse nome por conta do goleiro Gilmar dos Santos Neto. ''Ele estava numa fase boa em 1959, quando eu nasci'', lembrou o santista, que contou o que pôde antes da partida. Assim que o juiz apitou o início do jogo, toda a concentração, nervosismo e ansiedade foram para a telinha da tevê.
''Ai, como esse tempo demora para passar. Mas 0 a 0 já está bom'', dizia Gilmar, poucos minutos antes do pênalti de Robinho. A comemoração com os corintianos ao lado teve que ser mesmo no grito da janela. ''É peixe, é peixe!!!''
Foi assim também que ele vibrou com o terceiro gol, gritando, e muito, campeão, campeão. O mesmo grito que estava engasgado desde 1995, ''quando roubaram um gol do Camanducaia'', como fez questão de lembrar o santista. Mas é claro que entre o primeiro gol do Santos até o apito final, o Corinthians ainda marcou dois gols. Sufoco geral na rua Santos (sim, é o endereço da família).
Gilmar coloca as mãos na cabeça, tira os óculos e quase chora no segundo gol corintiano. Do outro lado da sala, Gabriel pula no colo do irmão Gustavo (que nasceu logo após o tal último campeonato de peso conquistado pelo Santos, em 1984, e só não ganhou o nome de algum jogador santista por conta da interferência da mãe) e os dois vibram.
''O que importa é que eles têm saúde'', brincou o pai. ''Eles são filhos, a gente sente um pouquinho, mas é que faz 18 anos que estou esperando'', explicou Gilmar, que só ficou totalmente feliz depois que os dois filhos vieram cumprimentá-lo, mesmo contrariados. O restante do domingo foi só de comemoração, ao lado de outros ''irmãos'' santistas no ponto de encontro de torcedores vitoriosos em Londrina, a avenida Higienópolis.


