Brasília - Dirigentes de clubes de futebol, das federações e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiram ontem, em reunião na Comissão de Seguridade Social da Câmara com representantes do Ministério da Previdência, apresentar em 40 dias estudo para renegociar suas dívidas, hoje de R$ 404,09 milhões. O total das dívidas foi informado pelo representante do ministério, Sérgio Falcão. ''A nossa proposta é que todos os clubes tenham seus débitos consolidados e que haja um novo parcelamento das dívidas'', disse o ex-deputado Eurico Miranda, presidente do Vasco da Gama. ''Isso resolveria o nosso problema de imediato'', completou.
Ele e o vice-presidente de patrimônio do São Paulo, José Roberto Canassa, defenderam ainda a criação de legislação específica para os clubes de futebol, no que se refere à Previdência Social. ''Temos de mudar grande parte da legislação. Os clubes de futebol têm de ter um tratamento diferenciado'', afirmou Miranda.
Além das dívidas com a Previdência, Sérgio Falcão mostrou ainda os números da renúncia fiscal que os clubes de futebol têm direito por lei. Segundo ele, a estimativa de renúncia fiscal do segmento do futebol, de 1999 a 2003, foi de R$ 369,80 milhões. ''Só os clubes de futebol têm esse incentivo e isso acaba prejudicando a arrecadação da Previdência'', disse Falcão. Ele afirmou ainda que, entre 2000 e maio deste ano, a Previdência arrecadou apenas metade do que deveria ter arrecadado.
Em sua palestra, Sérgio Falcão disse ainda que 232 clubes de futebol e federações foram auditadas e, destes, 129 tiveram representação fiscal para fins penais por crimes de sonegação de contribuição previdenciária e apropriação indébita, entre outros. ''Sonegação, fraudes, evasão e inadimplência são históricas dos clubes de futebol para com a Previdência'', afirmou Falcão.

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