Cartolas querem elitizar o futebol
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2003
Agência Estado 
São Paulo - Futebol é para o povão, é a única diversão do pobre. Para o torcedor que pensa assim, um alerta: prepare-se, pois tudo indica que a realidade vai mudar bastante nos próximos anos. Tanto alguns dirigentes de clubes como executivos que participam direta e indiretamente do negócio futebol brasileiro empunham bandeira que, uma vez adotada, mudará radicalmente o perfil do frequentador de estádios no País. Sai a camada mais pobre para dar lugar à classe média, principal alvo dos especialistas em marketing esportivo. Em outras palavras, uma espécie de elitização.
A argumentação dos defensores de tal mudança é simples e objetiva. Começa pela necessidade de aumentar a receita dos clubes. Para isso, querem atrair para os estádios a parcela da população que dispõe de recursos para consumir mais do que um simples ingresso. ''Veja o exemplo da Inglaterra e de boa parte da Europa. Lá, o torcedor gasta três, quatro vezes o preço pago na entrada com outros tipos de produto vendidos dentro do estádio, como refeição e souvenirs'', explicou o diretor da agência de marketing esportivo Traffic, J. Hawilla.
E olha que as explicações dos cartolas não param por aí. Todos são unânimes em apontar as adequações ao Estatuto do Torcedor como um dos fatores que também impulsionam a troca do público dos estádios. ''É verdade que são investimentos que ficarão lá, a longo prazo, mas instalar o sistema de monitoração com câmeras, ou pagar R$ 100,00 em cada cadeira é dispendioso, pois a manutenção também é cara'', explicou o diretor de marketing do Clube dos 13, Mauro Hosmann.
''É preciso que o torcedor contribua mais com a receita dos clubes. Por isso é necessário que tenha poder aquisitivo. Aquela história de só ficar no alambrado gritando 'queremos jogador' acabou. Quer o quê, cara pálida?''
Curto e grosso - Em conversas com dirigentes e executivos, fica claro que a elitização do frequentador de estádios não é um objetivo, mas sim uma consequência das mudanças que, mais cedo ou mais tarde, ocorrerão na administração esportiva.


