Cartolas paranaenses
atrapalham tudo e a todos
Júlio Tarnowski Jr.
A cartolagem do futebol paranaense continua querendo e aparecendo mais que os jogadores. O último exemplo foi dado no clássico de domingo, quando o Paraná engoliu o Atlético. Dentro de campo o técnico Rubens Minelli e seus jogadores conseguiram impor aquilo que haviam planejado durante a semana.
Jogaram ‘‘pesado’’ e não deixaram o adversário jogar. Só no primeiro tempo foram 26 faltas do Paraná contra 18 do Atlético. No segundo tempo o tricolor continuou ‘batendo mais’ que o rubro-negro. Resultado: venceram a partida por 1 x 0, gol de Ricardinho, cobrando pênalti.
O árbitro Nilton Dantas Lousa, que apitou o clássico, não foi bem. Prejudicou as duas equipes, em lances polêmicos, e ao não dar os cartões necessários para tentar coibir o antijogo, acabou errando mais do que acertando. Mesmo ao expulsar, em lances isolados, os dois zagueiros, Lamônica, do Paraná, e Reginaldo, do Atlético.
Mas dizer que o excesso de faltas prejudicou o Atlético é tentar esconder as deficiências do time. A diretoria atleticana saiu disparando contra tudo e contra todos, lembrando das ‘coincidências’ das arbitragens que têm prejudicado o time. Mas, no final da partida, a mesma diretoria reconheceu que seu time jogou mal.
Na realidade o Atlético vem de uma ‘bateria’ de jogos puxados e importantes. O técnico Jair Pereira não conseguiu ainda encontrar o meio-de-campo dos seus sonhos, e isso tem prejudicado o rendimento da equipe. Paulo Rink e Oséas têm que vir buscar a bola para tentar as jogadas.
Trabalhar nos estádios de futebol do Paraná está ficando cada vez mais complicado. As emissoras de rádio e televisão dividem espaços espremidos e mal localizados.
No estádio da Federeção Paranaense de Futebol, o Pinheirão, as acomodações até que são razoáveis. Mas não se consegue espaços para trabalhar. Ao todo a imprensa dispõem de 27 camarotes. Tirando-se os dois, da cabine de som e da Telepar, sobram 25. Seria suficiente para todos.
Mas aí entra a cartolagem que gosta, e muito, de ficar perto da imprensa. No último domingo os cartolas do Paraná ocuparam sete cabines, do Atlético outras duas e a FPF, mais uma. As 15 restantes ficaram para as rádios CBN, Paraná, Cidade, Clube, Independência, uma cada. Dividiram as cabines as rádios LBV, Clube Pontagrossense, Copas Verdes, Nacional e Iguaçu. As televisões Globo/Paranaense, CNT, Bandeirantes, Exclusiva ocuparam uma cabine.
As televisões SBT e Independência dividiram uma cabine. Curiosamente nessa mesma cabine estavam ainda outros quatro jornalistas de jornais, tentando trabalhar. Lugar para imprensa escrita nem pensar. Na avaliação dos cartolas a imprensa escrita não precisa de espaço. A cartolagem prefere as latinhas das rádios e as luzes das televisões.
* O autor é repórter da Sucursal da Folha em Curitiba

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