As diferenças entre o Atlético e o Coritiba não ocorrem apenas dentro de campo. Duas medidas adotadas pela Secretaria da Segurança na tentativa de conter a violência nos estádios, o aumento no preço dos ingressos e a responsabilidade dos clubes nos prejuízos causados por seus torcedores encontram posições diferentes da dupla Atletiba.
O presidente do Atlético Paranaense, Marcus Coelho, acredita que o clube não deve ter responsabilidade sobre aquilo que o torcedor do time faz fora dos estádios. ‘‘O Atlético não deve assumir a co-responsabilidade nos prejuízos provocados pelas pessoas porque não as controlamos’’.
Segundo ele, o clube se responsabiliza pela segurança do torcedor dentro da Arena da Baixada, de propriedade do Atlético.
Do lado Coxa-branca a diretoria aposta nas reuniões periódicas entre eles e os líderes das torcidas organizadas. ‘‘Passamos a eles a importância de não ocorrerem problemas pois todos perdem com isso’’, disse Francisco Araújo, presidente do Coritiba. Na sua opinião, o clube deve se responsabilizar pelos atos de seus torcedores.
Sobre o preço dos ingressos não há consenso. ‘‘Devemos cobrar por aquilo que oferecemos. O torcedor vem à Arena e tem um ótimo serviço à sua disposição. Para isso temos um custo que é cobrado justamente’’, disse Coelho, ressaltando que é preciso selecionar o público.
Os preços cobrados nos jogos do Atlético, tradicionalmente um time de massa, são considerados um dos mais caros do País.
O Coritiba opta pela popularização de sua torcida. ‘‘Queremos que as pessoas tragam seus familiares. Para isso existe um projeto de credenciamento de menores e mulheres para que eles não paguem ingressos nos jogos do Coritiba’’, informou a assessoria do clube.
O Paraná Clube concordou com todas as medidas anunciadas pelas autoridades.‘‘Nossa torcida não se envolve em depredações’’, afirmou o presidente Ênio Ribeiro.
Enquanto isso, o torcedor que sentir-se lesado no direito de vestir a camisa de sua torcida favorita pode recorrer à Justiça. Segundo o secretário-adjunto da OAB/PR, Ivo Harry Celli Júnior, a proibição do uso de camisas das organizadas é ilegal. ‘‘Apesar disso a decisão foi tomada para garantir a segurança coletiva e isso pode pesar na hora de uma decisão judicial’’.

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